O triste saldo da destruição do grande museu brasileiro de história natural Por Peter Moon – 03092018

O triste saldo da destruição do grande museu brasileiro de história natural

Por Peter Moon

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Há exatos 40 anos, em julho de 1978, o descaso do poder público e do empresariado cariocas com a cultura e o patrimônio histórico do Rio de Janeiro fez uma primeira vítima: o Museu de Arte Moderna (MAM) que, atingido por um incêndio, perdeu mais de 90 por cento de seu acervo. O fogo consumiu cerca de mil obras, entre elas trabalhos de Pablo Picasso, Joan Miró, Henri Matisse, René Magritte, Salvador Dalí e dos brasileiros Cândido Portinari e Di Cavalcanti. Sobreviveram apenas 50 obras, em boa parte esculturas. Aquela perda irreparável de um patrimônio artístico único, percebe-se agora, não serviu de lição. Desta vez foi o Museu Nacional da Quinta da Boa Vista, o mais antigo museu de história natural da América do Sul, fundado por Dom João VI em 1808, há exatos 200 anos, comemorados em junho.

Na noite de domingo, 2 de setembro de 2018, um incêndio de grandes proporções consumiu parece que totalmente o prédio principal do museu, um palacete colonial que serviu de palácio imperial para Dom Pedro II e sua família.

Em termos históricos, portanto, a destruição do Museu Nacional é comparável à perda do Louvre ou de Versalhes, os dois palácios parisienses dos reis de França.

“Palácios podem ser reconstruídos à sua antiga imagem e semelhança. Coleções científicas, uma vez perdidas, o são para sempre.”

Em termos culturais e científicos, a dimensão da perda é incomensurável. Palácios podem ser reconstruídos à sua antiga imagem e semelhança. Coleções científicas, uma vez perdidas, o são para sempre. O Museu Nacional era depositário do maior acervo de espécimes da flora e da fauna da América do Sul.

Felizmente salvaram-se as coleções de invertebrados e de vertebrados, e a coleção de botânica, todas instaladas há 30 anos em um edifício anexo não atingido pelo fogo. O valor científico destas coleções que se salvaram é imenso, assim como descomunal é o valor de tudo o que se perdeu. A seguir, um balanço da tragédia.

Paleontologia

A reserva técnica do setor de paleontologia e a ala expositiva do museu abrigavam praticamente todos os fósseis de plantas e de animais, vertebrados e invertebrados, descobertos no Brasil ao longo do século 19 e nas primeiras décadas do século 20. Perdeu-se em seis horas de incêndio o testemunho petrificado de dezenas de milhões de anos de evolução da vida no Brasil e na América do Sul.

Entre o patrimônio paleontológico consumido pelo fogo, os primeiros exemplos que me vêm à cabeça são as duas dezenas de fósseis de pterossauros da Chapada do Araripe, em sua maioria descobertos e descritos pelo atual diretor do museu, o paleontólogo Alex Kellner.

Também provenientes dos depósitos calcários do Araripe vinham os milhares de preciosos fósseis de insetos e de plantas, testemunho da fauna que habitava as terras e os mares do Nordeste quando da abertura do oceano Atlântico, há 110 milhões de anos.

Lembro também das dezenas de fósseis de dinossauros e centenas de exemplares da megafauna da era do gelo que habitaram terras brasileiras há 2 milhões de anos.

Entre os dinossauros, havia reconstruções dos esqueletos do Maxakalisaurus e do Uberabatitan, gigantes pescoçudos com mais de 10 metros que habitaram o sudeste brasileiro. Ao seu lado, por anos esteve exposto o esqueleto de um dino carnívoro, o Angaturama, do Araripe. Havia ainda a reconstrução do mais antigo dinossauro brasileiro, o estaurikossauro, uma fera do tamanho de um cachorro que habitou o Rio Grande do Sul há 225 milhões de anos.

Pairando acima de todo este acervo maravilhoso que encantava e fazia brilhar os olhos das crianças que visitavam a exposição permanente, havia esqueletos dos pterossauros descritos por Kellner, batizados com sugestivos nomes indígenas, como Anhanguera e Tupandactylus.

Já no caso dos animais da megafauna, o que fica na mente são os esqueletos das duas preguiças gigantes e do tigre dentes-de-sabre expostos no saguão principal do museu, local de onde foram montados em 1945 pelos gaúchos Carlos de Paula Couto e Llewelyn Ivor Price, os dois maiores nomes da paleontologia brasileira na primeira metade do século 20.

O grande legado de Paula Couto foi destruído. Eram os fósseis de mamíferos primitivos, entre eles o mais antigo tatu que se conhece, que viveram há 50 milhões de anos em Itaboraí. Os fósseis foram achados no fundo da cava de uma antiga mina de calcário, hoje abandonada, no município homônimo do outro lado da baía da Guanabara. São centenas de delicados fósseis que representam, pura e simplesmente, o principal e mais importante registro de um meio ambiente brasileiro para o Paleógeno, o período geológico que se estende desde o momento da extinção dos dinossauros, há 66 milhões, até 23 milhões de anos atrás.

Não pense que, por serem de pedra, fósseis podem resistir intactos a um grande incêndio. Não podem. Além de a maioria deles ser muito delicada, como os insetos, as folhas fossilizadas e os delgados ossos dos pterossauros, o dano provocado pelas altíssimas temperaturas quase com certeza pôs fim ao grosso das coleções. Sem contar o peso das estruturas do edifício que, ao desabar, destruíram o pouco que, por ventura, ainda restava.

Geologia

Aí resta um pingo de esperança. Talvez, apenas talvez, boa parte das dezenas de milhares de itens da coleção de pedras, rochas e cristais do Museu Nacional possa ter sobrevivido ao fogo. Já se sabe que na sala dos meteoritos, a primeira que os visitantes conheciam logo ao entrar no museu, o maior meteorito achado no Brasil permanece intacto. Trata-se do Bendegó, um gigantesco bloco disforme e negro, um monólito de ferro com mais de 5 toneladas, que errou pelo sistema solar por 4,6 bilhões de anos até cair no interior da Bahia, onde foi encontrado em 1784, e de onde foi levado ao Rio em 1888.

Se o Bendegó não derreteu durante a exposição ao fogo de 800 graus centígrados, talvez uma parte do acervo geológico do Museu Nacional, aquele com as peças maiores e mais resistentes, tenha se salvado.

Antropologia

Outro departamento onde a perda foi total.

A área de Antropologia do Museu Nacional era dividida em diversos setores. O de Etnologia, por exemplo, guardava máscaras, armas e utensílios do folclore de inúmeros povos indígenas brasileiros, coletados ao longo de dois séculos pelos antropólogos do museu.

Na Antropologia física, a perda que mais salta aos olhos foi o crânio de Luzia, “a primeira brasileira”, achado em 1977 no fundo de uma gruta em Lagoa Santa (MG), onde aquela mulher viveu há 12.500 anos.

O estudo do rosto de Luzia nos anos 1980 pelo biólogo Walter Alves Neves, da Universidade de São Paulo, foi responsável por uma reviravolta no entendimento do povoamento das Américas. A partir da constatação de que as feições de Luzia eram mais assemelhadas às populações negroides africanas do que aos índios americanos, Walter sugeriu que teria havido uma primeira migração humana da Ásia para a América há mais de 13 mil anos. De acordo com Walter, os ancestrais fundadores das linhagens de todas as nações indígenas das Américas teriam cruzado o estreito de Behring muito mais tarde, há pouco mais de 10 mil anos, ao final da última era do gelo.

Mas não foi apenas o crânio de Luzia que se perdeu. Na coleção de esqueletos humanos do Museu Nacional haviam, por exemplo, dezenas de crânios dos índios botocudos. Era deste modo que os colonizadores portugueses chamavam os membros de uma tribo de guerreiros que viviam até meados do século 19 no vale do rio Doce, entre Minas Gerais, Espírito Santo e Bahia.

Os botocudos, ou “vis aimorés”, como declamado no poema I-Juca Pirama, de Gonçalves Dias, levavam tal alcunha devido aos grandes discos de madeira (os botoques) que costumavam usar no lábio inferior e nas orelhas.

Os botocudos não eram tupis, mas pertencentes ao grupo linguístico macro-jê. Guerreiros, sempre evitaram o contato com o colonizador branco. Para “pacificar” a região do rio Doce, durante o reinado de Dom Pedro II promoveu-se uma guerra contra eles, o que resultou no virtual extermínio de todos os botocudos. A única evidência física da existência daquele povo eram as dezenas de crânios de botocudos guardados no Museu nacional. Eles não mais existem.

Arqueologia

O Museu Nacional era depositário da grande coleção de antiguidades egípcias, gregas e romanas reunida por Dom Pedro II durante as suas viagens pelo mundo no século 19. Lá estava a maior coleção de antiguidades egípcias da América do Sul. Eram mais de 700 peças, entre estátuas, estatuetas, sarcófagos, múmias, e artefatos do dia-a-dia, como um disco de metal polido que servia de espelho para as vaidosas mulheres dos faraós.

Dos gregos e romanos, desapareceram estátuas e bustos de calcário e bronze, armas, utensílios diversos e preciosas moedas. Por sinal, a coleção de numismática do Museu Nacional estava entre as maiores e mais completas do continente. O níquel, o zinco, ouro, prata e bronze de que eram constituídas suas milhares de moedas formam agora gotas disformes de metal enegrecido, perdidas em meio aos escombros e à fuligem do esqueleto calcinado daquele que foi, por 200 anos, o grande museu de história Natural brasileiro.

Claro está que a perda de um patrimônio tão diversificado, único e importante quanto o do Museu Nacional afeta cada um a seu modo. Eu sofro demais com a perda das coleções paleontológicas e de invertebrados, mas também me revolto com todo o resto que foi destruído.

Já meu enteado, o Dudu, de 9 anos, que teve a chance de visitar o museu há dois anos, ficou pasmo quando soube do incêndio. Ele se entristece por causa dos dinossauros, mas especialmente em relação à réplica in vivo de uma lula gigante de 5 metros, que pairava acima das cabeças dos visitantes no salão onde se viam conchas e caranguejos.

O que resta do Museu Nacional

A quase totalidade do acervo preservado está na sede do Horto Botânico, um parque anexo onde estão instaladas a Biblioteca do Museu Nacional, e em alguns prédios que abrigam os Departamentos de Botânica, de Vertebrados, de Invertebrados, e o Acervo Arqueológico do Museu Nacional:

Vertebrados

O Museu Nacional é um dos maiores centros de pesquisa de vertebrados da América do Sul. Sua coleção compreende um dos mais vastos e representativos acervos científicos sobre a biodiversidade neotropical existentes em todo mundo. O total do acervo, que se aproxima de 1 milhão de peças, se divide em quatro setores. Há 90 mil anfíbios e 30 mil répteis no setor de herpetologia, 500 mil peixes na ictiologia, 100 mil mamíferos na mastozoologia e 66 mil aves na ornitologia.

Invertebrados 

O setor de entomologia reúne uma das maiores e mais representativas coleções de insetos da América Latina. Foi criado em 1842 e possui 5 milhões de exemplares, ou seja, um quarto do acervo de toda a instituição, como borboletas (ordem Lepidoptera), besouros (Coleoptera), moscas (Diptera), vespas, abelhas e formigas (Hymenoptera), gafanhotos e grilos (Orthoptera), cigarras, percevejos, pulgões e cochonilhas (Hemiptera), libélulas (Odonata), baratas (Blattaria) e traças (Apterygota).

O departamento de invertebrados, de seu lado, abriga um acervo com milhões de exemplares de aranhas, escorpiões e opiliões (Aracnologia), crustáceos como caranguejos, camarões e lagostas (Carcinologia), corais e anêmonas (Celenterologia), estrelas-do-mar e ouriços-do-mar (Equinodermatologia), esponjas marinhas e de água doce (Espongiologia), lesmas e caracóis (Malacologia) e moluscos como mexilhões, ostras.

Dezenas de milhares de exemplares de vertebrados, de insetos e de invertebrados guardados no museu são importantíssimos, pois únicos para a ciência. São os holótipos, os exemplares que serviram de base para a descrição pela primeira vez de novas espécies da Mata Atlântica, do Cerrado, da Caatinga e da Amazônia.

Botânica 

O Departamento de Botânica do Museu Nacional funciona dentro do Horto Botânico, vizinho ao museu.  Seu terreno foi anexado ao Museu Nacional em 1896. Esta área destina-se ao cultivo de plantas e a experiências biológicas. Há construções históricas como tanques e um sistema de canais para canteiros de plantas aquáticas cuja água era suprida por uma caixa d’água que ficava sobre uma torre. Todas estas construções são datadas de 1910. O Horto Botânico possui atualmente uma área de 40 mil m², onde está  instalada uma importante área verde com 20 mil m², constituída por vegetação de vários ecossistemas brasileiros e espécies exóticas.

Fonte: https://www.oeco.org.br/reportagens/o-triste-saldo-da-destruicao-do-grande-museu-brasileiro-de-historia-natural/

Uma visão otimista para o futuro do Cerrado Por Rafael Loyola – 10092018

Uma visão otimista para o futuro do Cerrado

Por Rafael Loyola

Esse ano, o governo federal divulgou dados do monitoramento por satélite realizado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O Cerrado perdeu 1,9 milhão de hectares nos últimos dois anos (de 2013 a 2015). Pouco menos de 50% do bioma ainda existe e esse 1,9 milhão representa quase 2% de sua vegetação nativa remanescente. Fez as contas? Estamos perdendo o Cerrado a uma taxa de 1% ao ano, o que é cinco vezes mais rápido que o observado para o mesmo período na Amazônia.

Poderia escrever a coluna inteira sobre as razões, os problemas e as consequências dessa perda para a natureza e para as pessoas que vivem e dependem do Cerrado. E poderia discorrer sobre as implicações de tudo isso para os diferentes setores da nossa sociedade (economia, agricultura, cidades, indústria, etc.). Mas hoje é dia de comemoração, certo?

De fato, os cientistas da conservação e os ambientalistas de forma geral tendem a chamar atenção para os problemas. Talvez porque a própria ciência da conservação tenha sido criada como uma “ciência de crise”, talvez porque há um senso de urgência diante de tantas alterações que vêm acontecendo em escala planetária (p. ex., mudanças climáticas), ou talvez só porque temos uma curiosidade pela desventura alheia – basta ler os jornais todos os dias.

Mas, o foco nos problemas e suas consequências catastróficas tem um lado ruim: pode gerar um sentimento de impotência e desânimo. O que podemos fazer, se agora mudamos até a composição da atmosfera da Terra? O que fazer se a diminuição dos estoques pesqueiros é inevitável? O que fazer se as decisões políticas que atendem aos interesses de poucos, sempre são tomadas à revelia dos desejos da sociedade?

Diante de questões como essas, tenho defendido a necessidade de um discurso positivo sobre a conservação. Um discurso conciliatório e menos agressivo. Um discurso mais inclusivo e menos separatista. Você tem todo direito de discordar de mim, mas chocar as pessoas, na minha opinião, não vai resolver o problema. Quem faz algo por medo, não o faz com amor.

Eu acho, portanto, que a inspiração é o segredo. A inspiração é um recurso renovável e poderoso, mas que tende a ser esquecido diante de tantos desastres. Na minha opinião, o medo (de um possível colapso, por exemplo) causa resignação, intolerância, descrédito e alimenta extremismos. Mas a inspiração causa mudança, traz novas maneiras de pensar, aguça a curiosidade e nos faz sentir humanos, tendo consciência de que pensamos e sabemos que pensamos, como descreve nosso próprio nome científico Homo sapiens sapiens.

Então, no Dia do Cerrado, quero compartilhar com você uma visão de futuro inspiradora. Casos de sucesso na conservação. Ideias que têm o poder de nos fazer pensar que ainda há saída para o problema do Cerrado, que ainda podemos salvar o que resta deste bioma e torná-lo habitável, produtivo, resistente e resiliente às ameaças que enfrenta e enfrentará. Enfim, uma mensagem otimista, que nos lembre a importância de comemorar o dia de hoje.

“Nos últimos 50 anos, o Cerrado perdeu praticamente 50% de sua cobertura original, é verdade. Mas há 50 anos, era impensável ter tantas políticas públicas com foco no Cerrado como hoje em dia”.

Em primeiro lugar, é importante ter uma perspectiva histórica. Por mais que a perda da vegetação nativa do Cerrado só aumente, nossa consciência sobre a necessidade de conservar esse bioma também só aumenta. E isso é bom! Nos últimos 50 anos, o Cerrado perdeu praticamente 50% de sua cobertura original, é verdade. Mas há 50 anos, era impensável ter tantas políticas públicas com foco no Cerrado como hoje em dia. Hoje temos monitoramento por satélite (em breve teremos detecção de desmatamento em tempo real para o bioma), temos programas de agricultura de baixo carbono, incentivos à restauração, declaração voluntária (praticamente concluída no Cerrado) sobre onde estão as áreas protegidas em propriedades privadas. Tudo isso é um avanço enorme. Muito mais lento do que o necessário e muito mais lento do que gostaríamos, mas não deixa de ser um avanço.

Quer mais notícia boa? O Cerrado vem sendo restaurado! Já há estudos importantes sobre a restauração no bioma, algo antes apenas discutido para ecossistemas florestais. A semeadura direta – processo no qual sementes misturadas com terra são espalhadas em áreas extensas – tem alcançado resultados surpreendentes. Na Chapada dos Veadeiros, em Goiás, o próprio Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) vem realizando experimentos de restauração em uma parcela de 96 hectares. Há experimentos em áreas menores e eles são bastante promissores também. Com apenas um ano de monitoramento pós-semeadura, diversas espécies tiveram taxas de sobrevivência maior que 60%, o que é muito bom em plantios dessa natureza. Gramíneas nativas também ajudaram no processo e esses resultados deixam claro que é possível restaurar ecossistemas savânicos. Outra boa notícia é que a semeadura direta pode ser oito vezes mais barata que o plantio de mudas de árvores, que ainda é a técnica mais utilizada no Cerrado. Ou seja, é possível pensar em uma economia de escala, por meio de técnicas mais simples e já conhecidas, como essa semeadura. Se tiver interesse, dê uma espiada no estudo publicado pelo grupo.

Outros estudos demonstram que outra técnica conhecida como “topsoil” também é eficiente para a restauração no Cerrado. A técnica consiste em remover a camada superficial do solo de uma área a ser convertida para outra área, degradada, a ser restaurada. O simples fato de depositar essa camada sobre a área degradada tem trazido resultados animadores na recuperação do solo e da biodiversidade da área a ser restaurada. E isso sem falar na restauração passiva, onde algumas áreas são protegidas sem uso (cercadas com arame), mas com algum nível de manejo (p. ex., controle de queimadas ou de espécies exóticas invasoras) – embora essa restauração no Cerrado funcione apenas a longo prazo.

“A conservação do Cerrado tem beneficiado as pessoas. Diretamente. Inúmeras comunidades tradicionais, comunidades quilombolas e povos indígenas vivem dos recursos do Cerrado, integrando seus bens e serviços não só aos seus modos de vida e cultura, mas também à sua economia”.

Há mais motivos para ter esperança! Em seu “Plano Recupera Cerrado”, a Aliança Cerrado – um fórum composto por 56 instituições governamentais e não-governamentais com atuação local, nacional e internacional – apresenta uma visão de futuro possível e atingível para a restauração do cerrado do Distrito Federal. Um dos resultados que me chamou a atenção foi o de que seria preciso 395 milhões de reais para restaurar o Cerrado do DF, até 2030. Parece muito dinheiro, mas isso corresponde a apenas 3% do valor disponibilizado para financiamento da agropecuária no DF nos últimos anos. Isso mesmo, só 3%! E isso considerando um custo de restauração de R$28 mil/ha, o que pode ser reduzido em muito, dependendo da técnica utilizada. Portanto, se cada produtor que necessite restaurar uma área solicitar crédito para fazê-lo, o impacto desse pedido no desenvolvimento agropecuário no DF será mínimo. Além disso, essas linhas de crédito já existem, não é preciso reinventar a roda.

A conservação do Cerrado tem beneficiado as pessoas. Diretamente. Inúmeras comunidades tradicionais, comunidades quilombolas e povos indígenas vivem dos recursos do Cerrado, integrando seus bens e serviços não só aos seus modos de vida e cultura, mas também à sua economia. Atualmente, há cada vez mais interesse em aprender e ouvir essas comunidades. Elas vêm sendo incluídas em estratégias e planos de conservação, desde o nível federal ao local. E isso também é muito bom! É imprescindível, portanto, ampliar nosso entendimento sobre como melhor conservar a natureza por meio da inclusão dessas comunidades.

As unidades de conservação (UCs) no Cerrado são poucas e protegem cerca de 8% do bioma. Mas elas tiveram um efeito positivo na contenção do desmatamento ao longo do que restou do bioma. Estudos recentes mostram que, sem as UCs, praticamente toda área atualmente protegida teria sido convertida em áreas de cultivo, principalmente monocultura. Acertamos ao proteger determinadas regiões e, sem dúvida, o impacto da criação e implementação das UCs do Cerrado teve um efeito positivo na conservação de biodiversidade.

Tudo isso não é motivo para apatia; não quer dizer que está tudo bem. Sem dúvida, precisamos nos mobilizar como sociedade em prol da conservação do Cerrado e de um aumento exponencial da conscientização sobre sua importância entre todos os brasileiros. Como cientista e ambientalista, trabalhando em uma instituição localizada no meio do Cerrado, não vou deixar de alertar nossos governantes e nossos jovens sobre os problemas e desafios à frente. Mas hoje, só por hoje, gostaria de lhe dizer que há motivos para comemorar, que há iniciativas de sucesso, que há esperança para a conservação e recuperação do Cerrado. E isso é bom!

Fonte: https://www.oeco.org.br/colunas/colunistas-convidados/uma-visao-otimista-para-o-futuro-do-cerrado/

Cidadania Sequestrada – por Prof Davi Silva Fagundes No Brasil, o Estado Democrático de Direito e os Poderes Constituídos da República sequestraram os Cidadãos de forma legal

Cidadania Sequestrada

Por Davi Silva Fagundes 
No Brasil, o Estado Democrático de Direito e os Poderes Constituídos da República sequestraram os Cidadãos de forma legal

Quando resolvi fazer esta reflexão sobre a Cidadania sequestrada, tenho como referência dois autores importantes:

1. José Saramago (Português, escritor, poeta, contista, dramaturgo e jornalista português.

“Falou do sequestro da Democracia pelas grandes corporações, sem que o Cidadão comum tenha participação nessas decisões, sobrando para este, a desumanidade.”

Considerado a maior expressão da literatura portuguesa contemporânea) – https://www.todamateria.com.br/jose-saramago/

2. Gilberto Dimenstein (Brasileiro, escritor e jornalista) – afirma que a cidadania está garantida nos papeis, mas não existe de verdade, nome dado ao seu livro – Cidadão de Papel.

Quando no Brasil, temos os maiores índices de violência do mundo. No mês passado, foi apresentado o relatório da violência no Brasil (2017), em que 63 mil Brasileiros perderam a vida em decorrência de arma de fogo, não se viu por parte das autoridades constituídas, providências para reverter esse quadro assustador, que perdura por anos.

Com um sistema de arrecadação mais caro do mundo, o 2º Congresso Nacional mais caro do mundo, propostas para reverter esse quadro angustiante contra cada cidadão que paga seus impostos em dia, de acordo com o portal https://impostometro.com.br/, o país já arrecadou desde o dia 01/01/2018 até 31/08/2018 a ordem de nada menos que RS 1.560.614.478… e os números não param.

Como garantir qualidade de vida e cidades sustentáveis, se esse montante não retorna em benefício dos Cidadãos? Vejo que o caminho deve ser de mão dupla e não única, em que os Exmos Senhores Congressistas, aumentam a revelia da sociedade, seus infindáveis aumentos salariais, gratificações, prevalecendo-se das imunidades parlamentares, garantindo sua intocabilidade, onde são inalcançáveis, até quando?

Todos esses valores arrecadados, deveriam ser direcionados em benefício pleno de cada cidadão, citando algumas ações:

– combate a corrupção,

-combate ao crime organizado,

-educação pública de qualidade, sendo levada aos 50 milhões de analfabetos no país,

– saúde de excelência, sem que tenhamos que assistir todos os dias – milhares de pessoas – irmãos nossos – estarem em filas quilométricas, falta de gestão nos hospitais, falta de material básico e cirúrgico, além de assistir as milhares de mortes pela falta de atendimento adequado e a tempo,

– segurança como prioridade, voltado para a ações de inteligência,

– altos índices de hominídio e feminicídio no país,

– presídios superlotados, tornaram-se reduto de líderes de facções criminosas, que comandam o crime dentro destes,

– milhares de jovens são aliciados para serem consumidores de droga ilícitas,

– alto índice de prostituição infantil e abuso sexual infantil,

– emprego, sem que tenhamos que assistir que 14 milhões estão desempregados,

infraestrutura das estradas e cidades, desenvolvimento tecnológico,

– ações que visem e garantam a qualidade de vida de cada cidadão, neste imenso continente Brasileiro.

Não é o que acontece…

Fica claro, que existe no modelo tributário brasileiro, um sistema tributário perverso no Brasil, para espoliar os trabalhadores/comerciantes e favorecer àqueles que estão no Poder e acima da Lei, nos Palácios, Congresso Nacional, Judiciário, nos seus gabinetes luxuosos, sem que haja realmente uma preocupação humana com todos aqueles que dão a vida, trabalhadores em idade avançada, ainda trabalham para manter seus familiares e melhorar a renda, pois a aposentadoria não custeia as dívidas com remédios, plano de saúde, alimentação, vestuário, aluguel, lazer.

Constituição Brasileira, no seu arcabouço deve passar por uma revisão, tendo em vista, que os avanços sociais contidos na sociedade atual não foram alcançados ainda pela Constituição de 1988. O sistema tributário tira de quem não têm e dá para que têm. Os gastos do Governo vão além do permitido, com uma dívida interna de mais de 240 bilhões, tentam justificar tais gastos, as custas do sacrifício e suor de milhares de trabalhadores, famílias que já estão comprometidas com dívidas intermináveis para os banqueiros e bancos. Esse é o modo de viver de milhares de Brasileiros, conviver com altos impostos, sistemas de saúde, educação, segurança em plena decadência. As Oligarquias no Brasil, trabalhando contra os milhares de Cidadãos, em que cada um já foi sequestrado pelo sistema vigente.

Quando temos que assistir o Legislativo Brasileiro – que têm legislado em causa própria , priorizando os gastos eleitorais na ordem de R$ 1.8 milhões, com R$ 800 milhões de reserva do fundo partidário, verbas indenizatórias, gratificações de gabinete. Seria no mínimo de que esperar que todos aqueles que estão no Congresso Nacional – Presidência da República – Ministérios, cargos e funções de Direções, deveriam priorizar o básico para cada cidadão, princípios garantidos na constituição (bem-estar e a justiça social dos seus cidadãos, investimentos na Educação– Básica – Fundamental – Médio e Superior –, Saúde e Segurança, corrompem-se, para se manter no poder e fazer da política profissionais)

São colocados a revelia daqueles que deveriam decidir através de plebiscito os destinos da Nação. Até quando os Parlamentares continuarão a “trabalhar” três dias na semana? Ter verba indenizatória? Imunidade Parlamentar? Gastos exorbitantes de gabinete que colocam o Congresso Nacional como o 2º mais caro do mundo. Gastos astronômicos com Leis que não pegam.

Quando vemos o Judiciário Brasileiro intentar aumento salarial para a sua cúpula, com os recursos dos esforços de milhares de Brasileiros, terá o impacto aos cofres públicos na ordem de R$ 8 Bilhões por ano, mesmo comprometendo a Lei de Responsabilidade Fiscal, ficamos reféns das decisões que são tomadas pela cúpula, sem consulta dos Cidadãos que mantêm nosso País. Onde há Justiça nesta ação? Qual é o ganho real para a Sociedade?

Governo e Cidadãos não estão juntos pelo mesmo objetivo comum, para que seja dado a garantia de que a Constituição atenda plenamente cada Cidadão, como a Paz Social, Bem-estar social, Justiça Social, Educação de qualidade, Distribuição da renda aos mais pobres, menor taxação de impostos ou impostos diferenciados de acordo com a renda de cada Cidadão, maior transparência e controle social por parte dos órgãos e população, com os gastos públicos, atendimento humanizado nos Postos de Saúde e Hospitais, Segurança nas estradas, o sagrado direito de ir e vir com segurança, para não ser vítima de ladrões, estupradores, enganadores, traficantes, para não ser alvo e refém do crime organizado instalado em nosso país.

Por toda essa gama de questões apresentadas, é possível dizer que o Cidadão não foi sequestrado pelo Estado?

Fonte: https://davifagundes.jusbrasil.com.br/noticias/620589694/cidadania-sequestrada 

CB – Número de feminicídios em 2018 já é maior do que no ano passado inteiro – 01092018

Número de feminicídios em 2018 já é maior do que no ano passado inteiro

No primeiro semestre de 2018, o DF registrou média de 40 casos de violência doméstica por dia. Número de feminicídios (20 até agora) é o mesmo de 2016, ano em que o crime mais se repetiu em Brasília

AF Augusto Fernandes – Especial para o Correio

postado em 01/09/2018 07:00 / atualizado em 01/09/2018 08:57

(foto: Arte/CB/D.A Press)

Mesmo faltando quatro meses para o fim do ano, 2018 está marcado pelo alto número de ocorrências envolvendo crimes contra a mulher no Distrito Federal. Levantamento feito pela Secretaria da Segurança Pública e da Paz Social (SSP-DF) mostra que no primeiro semestre deste ano foram registrados 7.169 casos relacionados à Lei Maria da Penha. O número é o maior desde 2013, quando a pasta havia contabilizado 7.634 ocorrências de violência doméstica entre janeiro e junho daquele ano. Os feminicídios também aumentaram. Desde que a lei que trata sobre o crime foi implementada em 2015, o maior registro da secretaria havia sido em 2016, quando aconteceram 20 casos durante todo o ano. A marca voltou a se repetir já no oitavo mês de 2018 e superou o total de feminicídios do ano passado (19).

Nos últimos dois dias, a polícia  registrou pelo menos mais quatro atos de covardia contra mulheres. Ontem, em São Sebastião, um homem de 33 anos (a polícia não divulgou os nomes de nenhum dos envolvidos) derrubou o portão da casa da cunhada e invadiu o imóvel onde a companheira dele, de 50 anos, estava escondida. Ele ameaçou de morte as duas mulheres e agrediu a irmã da vítima. O homem fugiu ao ouvir a esposa pedindo socorro à Polícia Militar, mas foi detido minutos depois, com duas facas. Na 30ª Delegacia de Polícia (São Sebastião), a mulher não quis prestar queixa contra o marido. Mesmo assim, a delegacia registrou a ocorrência para proteger a vítima.

No Gama, outro homem de 34 anos tentou estrangular a ex-mulher, de 26. Ele descumpriu medida protetiva contra a companheira, que havia sido imposta há cerca de um mês. Um amigo da vítima apareceu no momento da agressão e impediu que a mulher fosse morta. No entanto, o homem só parou a agressão quando a polícia chegou ao local. O covarde conseguiu fugir. Ele havia rompido o lacre da tornozeleira eletrônica que usava. Em depoimento à 20ª Delegacia de Polícia (Gama), a mulher comentou que o homem havia dito “agora consigo te matar”.

Dois casos

Na quinta-feira, os crimes de violência doméstica aconteceram em Ceilândia e Sobradinho 2. No primeiro caso, um homem de 42 anos prendeu o braço da mulher em uma porta de ferro, a deixando com um corte profundo, de 5cm. No segundo, uma garota de 16 anos foi agredida na cabeça e na boca pelo padrasto, de 34. Ambos os agressores foram autuados em flagrante pela Lei Maria da Penha e estão presos.

O aumento dos delitos é tratado pela polícia e por especialistas como o reflexo de uma sociedade machista. Mudar essa realidade vai muito além da atuação das forças de segurança: é preciso conscientizar a população sobre o direito das mulheres. “A sociedade brasileira tem uma história de opressão. Isso está nas raízes da nossa formação e ainda ecoa muito forte nos dias de hoje. O que toda a sociedade pode fazer é trabalhar no apoio a essas mulheres, para que elas possam estar fortalecidas e seguras. A proteção precisa ser conjunta”, disse a delegada-chefe da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), Sandra Melo.

Para impedir que a onda de crimes continue crescendo, na visão da Polícia Civil, é imprescindível que a mulher não se cale. “Lidamos com um fenômeno de violência que está ligado a questões relacionais. Isso é um complicador. A mulher, muitas vezes, não consegue se perceber em um processo de violência. Ela está tão emocionalmente envolvida que o sentimento fala mais alto, e fica em dúvida se está fazendo a coisa certa ao denunciar. Mas as vítimas precisam entender que, com a denúncia, elas abrem portas para nós ajudarmos na sua proteção”, lembrou Sandra.

 Ajuda

De acordo com a Polícia Civil, o número de ocorrências relacionadas à violência doméstica pode ser ainda maior do que é divulgado, visto o receio de algumas mulheres em registrar as agressões. Muitas delas tomam coragem apenas quando um feminicídio acontece: estima-se que as denúncias cresçam 30% quando ocorre um novo crime em razão do gênero feminino. Consultor internacional de segurança, Leonardo Sant’Anna ressaltou que esconder ameaças têm consequências extremamente danosas à mulher.

 

“A violência tende a ser sempre maior por parte do parceiro quando a denúncia não é feita. Retirar a queixa, como se percebe em alguns casos, tende a reforçar a conduta negativa do agressor, que, muitas vezes, reproduz o ato em espaços de tempo cada vez menores e com mais intensidade. O ato, decisão e vontade de praticar a violência é do marido e as consequências também devem ser assumidas exclusivamente por ele. As mulheres devem enfrentar essa verdade”, apontou Sant’Anna.

Em novembro do ano passado, o Governo do Distrito Federal lançou um aplicativo de celular no qual mulheres com medidas protetivas de urgência, que se sentissem ameaçadas pelos agressores, poderiam acionar o dispositivo e, prontamente, serem atendidas por uma equipe policial.

Intitulado “Viva Flor”, inicialmente, a ferramenta atenderia a 100 mulheres que tivessem o direito concedido pela justiça e que se encontrassem em situação de risco extremo. No entanto, quase um ano após a implementação do aplicativo, apenas sete mulheres utilizam o dispositivo atualmente, de acordo com a SSP/DF. O aplicativo não está disponível em nenhuma loja virtual, e é a Vara de Violência Doméstica do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios que analisa cada caso e indica quem será atendida pelo programa.

Especialista em segurança pública, Márcia de Alencar enfatiza que o suporte operacional deveria funcionar em larga escala. “Isso resulta na falta de eficácia da concessão de medidas protetivas de urgência pela Justiça. O monitoramento ativo que faria com que tanto os órgãos jurídicos quanto a própria mulher se sentissem mais seguros. Esse tipo de violência, por ocorrer de forma tão privada, necessita de um controle mais rigoroso”, destacou Márcia.

Três perguntas para Rejane Suxberger, titular do Juizado de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher de São Sebastião

Por que nem todas as mulheres que recorrem à Justiça para conseguir uma medida protetiva de urgência são atendidas?

Para uma medida protetiva ser deferida, é necessário que o juiz receba da delegacia uma denúncia bem instruída, com depoimentos detalhados da mulher sobre o histórico de agressões. Às vezes, com os documentos à sua disposição, o juiz não tem noção do que de fato está acontecendo. Precisamos de elementos completos, que mostrem todo o ciclo de violência que a vítima já vivenciou, e não apenas do dia em que ela decidiu registrar uma ocorrência. Quanto mais detalhes o magistrado tiver, será importante não apenas para o deferimento da medida protetiva, como de outras decisões de proteção à mulher e à sua família.

O fato de as estatísticas criminais contra mulheres terem crescido em relação ao último ano é uma preocupação?

Não dá para dizer se esse crime está aumentando, ou se são as mulheres que estão denunciando mais. A violência doméstica sempre existiu, mas as vítimas guardavam o silêncio, porque era um problema de família e se resolvia dentro de casa. Ainda existe a cultura de não se judicializar situações de violência, mas é importante destacar que as denúncias são importantes. Recorrer à Justiça é uma forma de romper o ciclo de agressões. Eu acredito na efetividade da medida protetiva, que é uma inibidora da violência. É importante que a mulher tenha confiança na Justiça e da resposta que o Estado vai dar para ela. O mesmo vale para o agressor, pois a partir do momento que ele descumprir uma decisão judicial, ele será responsabilizado.

É comum a ocorrência de agressões e feminicídios causados por homens que tinham alguma medida protetiva contra a vítima. Existe uma ineficácia no monitoramento da decisão judicial?

Não podemos pegar episódios isolados e transformar exceções em regra. Estamos sujeitos a casos assim, infelizmente. Mas desacreditar da Justiça por conta disso não é o melhor caminho. O que precisamos para que a criminalidade diminua é a efetividade dos procedimentos. Nos juizados de violência doméstica temos equipes multidisciplinares, com psicólogos e assistentes sociais, que trabalham com dois binômios: acolhimento e responsabilização. Tratamos as vítimas com o intuito de empoderá-las e fortalecê-las, e com os agressores para fazê-los refletir sobre as suas condutas e conscientizá-los de que a mulher não é propriedade dele. Pedir ajuda à justiça ainda é a melhor opção.

Fonte: https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2018/09/01/interna_cidadesdf,703281/numero-de-feminicidios-em-2018-ja-e-maior-do-que-em-2017.shtml

CB – Especial – Combate às marcas da poluição – 2018

Combate às marcas da poluição

Três anos depois da assinatura do Acordo de Paris, cidades do mundo inteiro encaram o desafio de diminuir a emissão de gases de efeito estufa. O setor de transportes é um dos principais vilões — só no DF, é responsável por 49,05% de todas as emissões.

Foto 1

Durante 4,5 bilhões de anos, a Terra passou por mudanças climáticas que alteraram o modo de vida dos seres humanos. Ao mesmo tempo em que a civilização se desenvolve, reflexos desse crescimento deixam marcas pelo mundo. Estiagens prolongadas, furacões e aumento do nível dos oceanos estão entre os fenômenos que levaram representantes de 195 países a Paris, na França, em 2015, para fechar um acordo que pudesse resolver o problema.

O desafio é reduzir a emissão de gases de efeito estufa (GEE) e, assim, impedir que a temperatura do planeta continue a subir. Um dos principais culpados pelo desequilíbrio climático é o setor de transportes, responsável por quase um quarto dos poluentes espalhados pela atmosfera. O Correio publica, a partir de hoje, a série de reportagens O caminho até 2030: os desafios dos transportes para o Acordo de Paris, e mostra alternativas para garantir o cumprimento das metas de redução de poluentes.

Especialistas em engenharia mecânica e meio ambiente elencam soluções para o setor que passam pela utilização de combustíveis renováveis e investimento em transporte público para reduzir o uso de veículos particulares. As consequências de postergar as mudanças vão desde o aumento de doenças respiratórias até o aumento do nível dos oceanos, o que pode deixar cidades como Rio de Janeiro, Recife e Salvador debaixo d’água antes do fim deste século.

Com menos de 60 anos de idade, Brasília cresceu e ganhou status de cidade grande. A frota de automóveis do Distrito Federal é uma das que mais aumentam no país. Junto disso, sobe também a quantidade de poluentes lançados na atmosfera. O setor de transportes é responsável por 49,05% de todas as emissões locais. Desses, 70% são emitidos por veículos particulares. Os dados são do Inventário de Emissões por Fontes e Remoções por Sumidouros de Gases de Efeito Estufa, estudo do Governo do Distrito Federal que analisou o ar da capital federal entre 2005 e 2012. Essa é a única análise governamental feita sobre os causadores da poluição no DF.

Dispersão de poluentes

 Ônibus solta fumaça do escapamento, na Estação Rodoviária de Brasília.

Diferentemente do resto do país, Brasília não tem uma forte indústria, nem sofre queimadas de grandes proporções, o que deveria resultar num céu sem poluição. O Instituto Brasília Ambiental (Ibram) monitora, desde 2005, o ar da capital federal, com quatro estações. A mais antiga, instalada na Rodoviária do Plano Piloto, apresentou, em junho deste ano, Índice de Qualidade do Ar (IQAR) de 124,04 microgramas de partículas presentes a cada metro cúbico de ar.

O nível é considerado inadequado, podendo causar em toda a população sintomas como tosse seca, cansaço, ardor nos olhos, nariz e garganta. Pessoas de grupos sensíveis, como crianças, idosos e aqueles com doenças respiratórias e cardíacas correm o risco de apresentar efeitos mais sérios na saúde.

“No período seco, o ar pode se tornar nocivo a grupos sensíveis, pois a umidade fica baixa e temos uma má dispersão dos poluentes, que ficam acumulados”, afirma Lourdes Martins, analista de atividades do Meio Ambiente do Ibram. “Reduzir os poluentes é uma questão de saúde pública, pois se trata de algo que afeta diretamente a qualidade de vida da população”, completa.

Problema nacional

A nível nacional, o desmatamento é o maior responsável pelas emissões de GEE, mas, segundo a organização não governamental Green Peace, é o setor de transportes o que apresenta maior crescimento, podendo se tornar o principal emissor de poluentes a partir de 2028. “Na grande São Paulo, um estudo nosso mostrou que os cerca de 15 mil ônibus que circulam pela cidade diariamente representam, hoje, cerca de 4 mil mortes por ano devido a emissões de material particulado. Caso o quadro não mude, esse número anual será de 7,5 mil em 2050”, contou Davi Martins, especialista do Green Peace em Mobilidade Urbana.

O cenário de poluição na capital paulista levou à sanção da Lei Municipal nº 16.802/2018, que prevê a substituição de toda a frota de transporte coletivo urbano no município em até 20 anos após a regulamentação. Os veículos usados hoje serão trocados por modelos com fontes de energia menos poluentes. “As cidades e os poderes executivos de cada estado têm um papel fundamental no combate à redução de gases de efeito estufa, criando um cenário que desencoraje o uso de veículos particulares”, constata o especialista do Green Peace.

A partir do Acordo de Paris, os países apresentaram Contribuições Nacionalmente Determinadas (iNDC, na sigla em inglês). A do Brasil, aprovada no Congresso Nacional em setembro de 2016, traça a meta de reduzir emissões de gases de efeito estufa em 37% até 2025 e 43% até 2030, tendo como referência os níveis de 2005.

A Organização das Nações Unidas (ONU) Meio Ambiente e o Ministério do Meio Ambiente criaram um projeto com sugestões de como reduzir as emissões em setores-chave. Entre eles, o de transportes, que necessitará de investimento de US$ 2,4 bilhões para eficientização de caminhões e ônibus movidos a diesel e mudança modal no transporte de passageiros de automóveis para ônibus e metrô.

Mudança global necessária

O compromisso firmado na 21ª Conferência das Partes (COP21) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC), tem como objetivo conter, até 2030, o aumento da temperatura média global em menos de 2°C acima dos níveis pré-industriais. Esse número, segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), marca o ponto em que os efeitos das alterações climáticas ainda são suportáveis para o ser humano.

Os principais gases de efeito estufa são o CH4, N2O, O3, halocarbonos, vapor d’água e o gás carbônico (CO2). O último representa, sozinho, 90% dos GEE presentes na atmosfera. A emissão dos gases começou a subir com a queima de combustíveis fósseis no século 17, durante a Revolução Industrial.

“Tivemos uma inércia de 200 anos em relação ao CO2 e, nas últimas sete décadas, emitimos o suficiente para comprometer os próximos dois séculos”, afirma Marcelo Poppe, assessor técnico do Centro de Gestão de Estudos Estratégicos (CGEE), que emite análises e soluções ligadas a ciência, tecnologia e inovação. “Os GEE criam uma camada na atmosfera. Os raios solares chegam ao planeta, batem no solo e são refletidos de volta, mas essa crosta os impede de sair, criando assim uma ‘estufa’ que prende o calor”, esclarece.

O Instituto Carbon Tracker Initiative (CTI) faz estudo chamado crédito de carbono, que mostra que, desde a Revolução Industrial, foram liberados 500 bilhões de toneladas de carbono na atmosfera, o que fez a temperatura média do planeta subir em 1ºC. Com isso, para evitar que os 2ºC sejam superados, o planeta só tem um saldo de mais 500 bilhões de toneladas de carbono.

O crédito pode ainda parecer grande, mas só o Brasil produz, em média, 2,5 milhões de barris de petróleo por dia e, na queima de apenas um litro de gasolina, são emitidos cerca de 2,269 quilos de CO2 na atmosfera. Os últimos relatórios anuais da World Meteorological Organization (WMO) mostram que recordes de emissões continuam sendo batidas ano após ano. Para o futuro, a situação deve ser ainda pior, pois estimativas da Agência Internacional de Energia (AIE) antecipam que, até 2040, as emissões do gás derivadas de combustíveis líquidos aumentarão mais de 30%.

Artigo

Por: Carlos Henrique Ribeiro Lima, professor do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade de Brasília

Aquecimento Global e a Urgência na Redução das Emissões de Gases do Efeito Estufa

A Terra nunca foi tão quente, pelo menos nos últimos 1.400 anos. Estima-se que as temperaturas mais recentes do planeta jamais foram tão elevadas desde o início da Idade Média. Como causa dominante, a ciência aponta os elevados níveis de gases do efeito estufa (GEE) na atmosfera, resultado do aumento crescente de emissões antropogênicas em resposta ao crescimento econômico e populacional desde a era pré-industrial. A manutenção dessas tendências no futuro impõe sérios riscos ao planeta e deve ser contida.

Com o aumento da temperatura, mudam-se as características da atmosfera e do oceano, que repercutem em modificações nos padrões de chuva, evaporação e eventos extremos. É previsto que o aquecimento global irá amplificar os riscos existentes e criar novos riscos, incluindo um aumento dos desastres naturais, como secas, cheias, ondas de calor, deslizamentos de terra e poluição atmosférica, com impactos severos e irreversíveis na disponibilidade hídrica, ecossistemas, saúde humana e desenvolvimento econômico.

O setor de transportes, em particular, é responsável por uma parcela significativa das emissões totais de GEE. Todavia, investimentos em tecnologia, transporte público e infraestrutura no setor assim como mudanças comportamentais elevam seu potencial de mitigação das emissões. Acredita-se que reduções substanciais nas emissões de GEE só serão atingidas se estratégias de redução forem implementadas com sucesso no setor de transportes.

Dessa forma, o tempo é curto e as medidas a serem tomadas são urgentes. Como o risco não é igualmente distribuído na sociedade, espera-se ainda que os impactos do aquecimento global sejam maiores nas nações menos desenvolvidas e nas populações mais carentes.

Fonte: https://especiais.correiobraziliense.net.br/caminhosate2030/marcas-da-poluicao.html

Agência Brasil – Maioria no ensino médio não aprende o básico de português e matemática – 30082018

Ensino médio

Maioria no ensino médio não aprende o básico de português e matemática

Resultados são “preocupantes”, avaliam Inep e Ministério da Educação

Publicado em 30/08/2018 – 11:06

Por Mariana Tokarnia – Repórter da Agência Brasil  Brasília

Cerca de 70% dos estudantes que concluíram o ensino médio no país apresentaram resultados considerados insuficientes em matemática. A mesma porcentagem não aprendeu nem mesmo o considerado básico em português. Os dados são do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb), apresentados hoje (30) pelo Ministério da Educação (MEC).

Em português, os estudantes alcançaram, em média, 268 pontos, o que coloca o país no nível 2, em uma escala que vai de 0 a 8. Até o nível 3, o aprendizado é considerado insuficiente pelo MEC. A partir do nível 4, o aprendizado é considerado básico e, do nível 7, adequado. Na prática, isso significa que os brasileiros deixam a escola provavelmente sem conseguir reconhecer o tema de uma crônica ou identificar a informação principal em uma reportagem.

Em matemática, os estudantes alcançaram, em média, 270 pontos, o que coloca o país no nível 2, de uma escala que vai de 0 a 10, e segue a mesma classificação em língua portuguesa. A maior parte dos estudantes do país não é capaz, por exemplo, de resolver problemas utilizando soma, subtração, multiplicação e divisão.

Desigualdades

Na média, 43 pontos separam os estudantes que pertencem ao grupo dos 20% com o mais alto nível socioeconômico dos 20% do nível mais baixo, em português, no país. A diferença, coloca os mais ricos no nível 3 de aprendizagem, enquanto os mais pobres ficam no nível 2. Embora mais alto, o nível 3 ainda é considerado insuficiente pelo MEC. Em matemática, a diferença entre os dois grupos é ainda maior, de 52 pontos. Enquanto os mais pobres estão no nível 2, os mais ricos estão no nível 4, considerado básico.

Entre os entes federados, o Distrito Federal registra a maior diferença entre os dois grupos, tanto em português quanto em matemática. Os alunos com mais alto nível socioeconômico obtiveram, em média, 329 pontos em português, ficando no nível 5 de aprendizagem, considerado básico. Já os de nível socioeconômico mais baixo ficaram com 255 pontos, no nível 2, uma diferença de 74 pontos Em matemática, a diferença foi maior, de 101 pontos. Os mais pobres estão no nível 2 e os mais ricos, no nível 6.

Os resultados também mostram desigualdades regionais. A maioria dos estados das regiões Norte e Nordeste, além do Mato Grosso, tiveram, em média, pontuações inferiores à média nacional em matemática e português. A exceção é Pernambuco, que, ficou acima da média, juntando-se aos estados das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste que ficaram ou na média ou acima da média de desempenho nacional. Rondônia ficou acima da média nacional apenas em matemática.

Seis estados pioraram os resultados de 2015 para 2017 tanto em português quanto em matemática: Amazonas; Amapá; Bahia; Mato Grosso do Sul; Pará; e Roraima. Além desses estados, o Rio Grande do Norte piorou o resultado apenas em matemática e Distrito Federal, Mato Grosso, Pernambuco, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo pioraram apenas em língua portuguesa.

Ministério da Educação

Na avaliação do MEC e do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pela avaliação, os resultados de aprendizagem dos estudantes brasileiros “são absolutamente preocupantes”.

No ensino médio, o país encontra-se praticamente estagnado desde 2009. “A baixa qualidade, em média, do Ensino Médio brasileiro prejudica a formação dos estudantes para o mundo do trabalho e, consequentemente, atrasa o desenvolvimento social e econômico do Brasil”, diz a pasta.

Os resultados são do Saeb, aplicado em 2017 aos estudantes do último ano do ensino médio. Pela primeira vez a avaliação foi oferecida a todos os estudantes das escolas públicas e não apenas a um grupo de escolas, como era feito até então. Cerca de 70% dos estudantes participaram das provas. Nas escolas particulares, a avaliação seguiu sendo feita de forma amostral. Aquelas que desejassem também podiam se voluntariar, mas os resultados não foram incluídos nas divulgações.

Fonte: http://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2018-08/maioria-no-ensino-medio-tem-dificuldades-em-matematica-e-portugues

CB – Mais da metade dos eleitores estão desanimados com eleições no DF – 18082018

Mais da metade dos eleitores estão desanimados com eleições no DF

Pesquisa feita a pedido do Correio mostra que mais da metade dos entrevistados estão desanimados com as eleições no Distrito Federal. Especialistas acreditam que o início da propaganda eleitoral pode atrair a atenção do brasiliense

AV Ana Viriato

postado em 18/08/2018 07:00 / atualizado em 18/08/2018 08

(foto: Valdo Virgo/CB/D.A Press)

Os candidatos do Distrito Federal precisarão trabalhar duro para empolgar o eleitorado e garantir apoio nas urnas. Pesquisa do Instituto Opinião Política, encomendada pelo Correio Braziliense, mostra que 51,3% dos entrevistados têm pouco ou nenhum interesse no pleito de outubro (veja Interesse pelas eleições). Segundo cientistas políticos, os percentuais refletem o desencanto da população com a política, provocado pela descoberta de esquemas de corrupção que desviaram bilhões dos cofres públicos. No entanto, os estudiosos avaliam que o quadro deve sofrer mudanças — ainda que pequenas — com o início da propaganda eleitoral na tevê e no rádio, transmitida a partir de 31 de agosto (leia O que diz a lei).

Ricardo Caldas: “O engajamento começa agora e ganha força ao início da propaganda gratuita”(foto: Iano Andrade/CB/D.A Press )

Professor da Universidade de Brasília (UnB), o cientista político Ricardo Caldas indica que o formato atípico da campanha adiou o interesse de parcela da sociedade pelo período eleitoral. Em 2014, a peregrinação teve início em julho. Neste ano, começou na quinta-feira. Além disso, os postulantes a cargos públicos terão 45 dias, em vez dos usuais 90, para investir no corpo a corpo. “Na pré-campanha, não se pode, efetivamente, pedir votos. O engajamento começa agora e ganha força ao início da propaganda gratuita. No momento em que os concorrentes passarem a falar das propostas na tevê, haverá um choque de realidade”, analisa.

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Caldas destaca que “a falta de interesse não quer dizer que mais de metade da população deixará de votar”. “Em meio à campanha, parte dessas pessoas passará a avaliar quem apoiar. Algumas, pelo processo de exclusão, quando se verifica qual o candidato ‘menos pior’. O eleitorado tem encontrado grande dificuldade em se identificar com um concorrente”, pontua o estudioso.

David Fleischer, também da UnB, acrescenta que o desinteresse acompanha tendência nacional. “Pesquisas relativas a presidenciáveis apresentam o mesmo quadro. As pessoas são bombardeadas todos os dias por notícias sobre corrupção, desvios, operações, prisões. Há, portanto, um momento de descrédito. Os eleitores questionam-se, muitas vezes, se vale a pena votar em alguém. Deve haver uma mudança nos próximos dias por conta da campanha, mas não será muito grande”, avalia o cientista político.

David Fleischer: “Quem observa as eleições com interesse desde já, geralmente, é engajado politicamente”(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press )

Ao responderem ao estudo, outros 46,6% dos brasilienses ouvidos alegaram ter médio ou muito interesse no pleito de 7 de outubro. Além disso, 1,8% dos entrevistados disseram não saber se posicionar e 0,3% não responderam ao questionamento. “Quem observa as eleições com interesse desde já, geralmente, é engajado politicamente, tem ligação com candidatos ou faz parte de grupos que pretendem emplacar nomes, como sindicatos, igrejas e afins”, complementou Fleischer.

Ficha limpa

Apesar da dificuldade de identificação, a maior parte do eleitorado ouvido, cerca de 32,8%, pretende levar em consideração a honestidade do candidato no momento da escolha. Outros 22,2% avaliarão se os concorrentes são ficha-limpa. “Do Mensalão para cá, houve uma desconstrução contínua da relação de confiança entre políticos e eleitores. Além dos escândalos, as políticas públicas não foram corretamente implementadas. O que acontece em Brasília é um microcosmo do que ocorre no Brasil: um grande desconvite às urnas. O eleitor, então, busca alguém que fuja desse padrão”, verifica o analista político e professor da Universidade Católica de Brasília, Creomar Souza.

A competência do administrador é um fator preponderante para o apoio de 13,6% dos entrevistados, e a experiência como gestor público, critério usado por 8,3% dos eleitores ouvidos. Promessas de benefícios também constam na lista de fundamentos do voto: 6,5% dos brasilienses desejam ouvir garantias de reajustes, empregos e lotes.

A onda de preferência por outsiders para a renovação do quadro político, observada em 2016, não se manteve. Ao Instituto de Pesquisa, somente 5,6% destacaram a necessidade de que o candidato não tenha sido eleito em outro pleito. “Na eleição de prefeitos, as pessoas estavam dispostas a arriscar mais. Agora, estão prudentes, uma vez que governadores, senadores, deputados e presidentes influenciam questões significativas, como a taxa de juros, o crescimento econômico e a geração de empregos”, apontou Ricardo Caldas.

Desconfiança

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A crise enfrentada pelo país nos últimos anos não influenciou apenas as perspectivas políticas do eleitorado, avaliam os entrevistados. Cerca de 49,3% dos brasilienses consultados afirmaram que a vida piorou no DF ao longo dos últimos quatro anos e 33,7% alegam que nada mudou. “A economia entrou em parafuso. Estamos, lentamente, saindo da crise. O desemprego continua alto e o poder de compra, baixo”, lembrou David Fleischer. Apenas 15% do eleitorado avalia que as condições melhoraram na capital.

Quando projetados os próximos anos, 50,6% dos entrevistados preveem um futuro melhor para as respectivas famílias. Cerca de 15,7% mantêm a indiferença e 29,4% mostram-se pessimistas.

A pesquisa foi registrada no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) com o número DF-03100/2018. Para a amostra, o Instituto realizou 1.231 entrevistas, entre 10 e 13 de agosto, com eleitores residentes no Distrito Federal maiores de 16 anos. O intervalo de confiança da pesquisa é de 95%, e a margem de erro, de 3%.

O que diz a lei

Conforme a Resolução nº 23.551, de 2017, quando a renovação do Senado for de dois terços, a veiculação da propaganda eleitoral de candidatos aos governos estaduais ocorrerá em dois blocos de nove minutos, às segundas, quartas e sextas-feiras. A de concorrentes às cadeiras de senadores, em blocos de sete minutos, nos mesmos dias. A Justiça Eleitoral realiza a divisão do tempo entre os postulantes. Pelas diretrizes, 90% dos nove minutos são distribuídos proporcionalmente às legendas com base no número de representantes na Câmara dos Deputados. Repartidos igualitariamente, os demais 10% ficam com todas as siglas do país.

Fonte: https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2018/08/18/interna_cidadesdf,700769/mais-da-metade-dos-eleitores-estao-desanimados-com-eleicoes-no-df.shtml

CB- 61% das crianças e dos adolescentes no Brasil vivem na pobreza, diz Unicef – 14082018

61% das crianças e dos adolescentes no Brasil vivem na pobreza, diz Unicef

Para chegar ao dado, o Unicef considerou não só a pobreza monetária, mas também a falta de acesso a direitos básicos, como saneamento básico, educação e moradia

HR Humberto Rezende

postado em 14/08/2018 10:31

A falta de saneamento básico afeta 13,3 milhões de meninos e meninas no Brasil(foto: Minervino Júnior/CB/D.A Press)

As análises tradicionais sobre a pobreza costumam levar em conta a renda das pessoas ou de suas famílias. Se alguém ganha acima de determinado valor por dia ou o suficiente para se alimentar, por exemplo, fica de fora das estatísticas e não é considerado pobre. Mas quão realistas são estudos desse tipo? Uma criança que vive em uma casa onde há dinheiro para alimentos e roupas, mas que não tem acesso a saneamento básico e educação, conseguiu escapar da pobreza?

Para o Fundo da Nações Unidas para a Infância (Unicef), a resposta a essa última pergunta é não. Segundo o órgão da ONU, a privação de direitos é uma face determinante da pobreza, e pode estar ou não acompanhada de pobreza monetária. E é essa visão que está refletida no estudo Pobreza na Infância e na Adolescência, lançado nesta terça-feira (14/8), em Brasília. O levantamento, que leva em consideração a legislação do país e os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2015, traça, de maneira inédita, o impacto multidimensional da pobreza nos brasileiros com menos de 18 anos.

Pelos parâmetros utilizados pelo Unicef, 61% das crianças e dos adolescentes brasileiros vivem na pobreza, seja porque moram em domicílios com renda per capta insuficiente para adquirir uma cesta básica de bens, seja porque têm negado ao menos um dos seguintes direitos básicos: educação, informação, água, saneamento, moradia e proteção contra o trabalho infantil.

Os dados analisados no estudo indicam que, dos 53,7 milhões de meninas e meninos, 18 milhões (34%) são afetados pela pobreza monetária — menos de R$ 346 per capta por mês na zona urbana ou R$ 269 na zona rural. Desses, 12 milhões (23%) têm, além de renda insuficiente, um ou mais dos seus direitos básicos negados, integral ou parcialmente. Porém, avalia o Unicef, outros 14 milhões (27%) devem ser incorporados às estatísticas, mesmo não sendo monetariamente pobres, pois não têm acesso a todos os direitos integralmente.
Saneamento é o maior desafio

Em defesa do seu critério, o órgão da ONU argumenta que essa metodologia permite apontar com mais realismo os desafios a serem superados pelo Brasil. “Incluir a privação de direitos como uma das faces da pobreza não é comum nas análises tradicionais sobre o tema, mas é essencial para dar destaque a problemas graves que afetam meninas e meninos e colocam em risco seu bem-estar”, afirma Florence Bauer, representante do Unicef no Brasil.

Além de apontar que a pobreza de direitos afeta mais meninos e meninas (quase 50%) que a pobreza monetária (34%), o estudo mostra que o Brasil foi mais eficiente em combater o segundo tipo de privação que o primeiro na última década. O relatório mostra ainda quais direitos são os mais negados às crianças e adolescentes. A falta de acesso a saneamento básico lidera a lista, afetando 13,3 milhões de meninos e meninas, seguida do direito integral à educação (negado a 8,8 milhões), água (7,6 milhões), informação (6,8 milhões), moradia (5,9 milhões) e proteção contra o trabalho infantil (2,5 milhões).

É possível ainda avaliar quais grupos ou regiões são mais vulneráveis. Moradores da zona rural têm mais direitos negados que os habitantes das cidades. Crianças e adolescentes negros sofrem mais violações que os brancos E os moradores das regiões Norte e Nordeste sofrem mais que os do Sul e do Sudeste.

Tais recortes, aponta o Unicef, podem tornar a ação governamental e da sociedade mais eficaz. “Compreender cada uma dessas dimensões é essencial para desenhar políticas públicas capazes de reverter a pobreza na infância e na adolescência”, afirma um trecho do estudo, conduzido por Jorge Paz e Carla Arévalo, especialistas em economia e demografia do Instituto de Estudos do Trabalho e do Desenvolvimento Econômico (Ielde, na sigla em espanhol), com sede na Argentina.

Fonte: https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/brasil/2018/08/14/interna-brasil,700256/unicef-61-das-criancas-e-dos-adolescentes-no-brasil-vivem-na-pobreza.shtml?utm_source=onesignal&utm_medium=push

 

CB – Com 63.880 vítimas em 2017, Brasil bate recorde de mortes violentas – 09082018

Com 63.880 vítimas em 2017, Brasil bate recorde de mortes violentas

O que representa um crescimento de 2,9% em relação ao ano anterior


postado em 09/08/2018 11:01 / atualizado em 09/08/2018 13:02

(foto: Luis Nova/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Luis Nova/Esp. CB/D.A Press)
O Brasil registra novo recorde de homicídios em 2017: foram 63,8 mil mortes violentas intencionais – crescimento de 2,9% em relação ao ano anterior. Os dados foram divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública na manhã desta quinta-feira (9). Por dia, foram 175 assassinatos ao longo do ano.
As maiores taxas de violência para cada 100 mil habitante foram registradas no Rio Grande do Norte, com 68, Acre com 63,8 e Ceará com 59,1 para cada 100 mil. Por outro lado, as menores foram no estado de São Paulo (10,7), Santa Catarina (16,5), e Distrito Federal (18,2).
Os estupros também aumentaram: no ano passado, o país registrou 60 mil casos. Um aumento de 8,4% em relação a 2016. Também foram 1,1 mil feminicídios e 221,2 mil ocorrências de violência doméstica – 606 por dia.
Ao todo, 367 policiais militares foram mortos em serviço, uma redução de 4,9% em relação a 2016. Foi um assassinato por dia. No entanto, 5,1 mil pessoas foram mortas em intervenções militares ao longo do ano, o que representa um aumento de 20%, Nesse caso, são 14 mortos por dia.

Outros dados 

Ao longo do ano, 119,4 mil armas de fogo foram apreendidas em 2017. Sendo que 94,9% delas não foram cadastradas no sistema da Polícia Federal (SINARM). E 13,7 mil armas legais foram perdidas, extraviadas ou roubadas.
O país investiu R$ 84,7 milhões em gastos com segurança pública. Por cidadão, esse valor é de R$ 408,13. Sendo que a União investiu R$ 9,7 bilhões (alta de 6,9%), os municípios pagaram R$ 5,1 bilhões (redução de 2%), e as unidades da federação investiram R$ 69,8 bilhões (varição de 0,2%).
Fonte: https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/brasil/2018/08/09/interna-brasil,699789/com-63-880-vitimas-em-2017-brasil-bate-recorde-de-mortes-violentas.shtml

CB – DF já registra 19 feminicídios este ano, mesmo número de 2017 inteiro – 08082018

DF já registra 19 feminicídios este ano, mesmo número de 2017 inteiro

Com três mortes nos últimos três dias, chega a 19 o número de crimes de ódio contra mulheres no DF, o mesmo número do registrado nos 12 meses do ano passado. No caso mais recente, ontem, PM executou a ex-companheira e se matou em seguida


postado em 08/08/2018 06:00 / atualizado em 08/08/2018 09:23

Adriana Castro, Marília Jane e Carla Graziele, assassinadas por seus companheiros no DF (foto: Arquivo pessoal)
Adriana Castro, Marília Jane e Carla Graziele, assassinadas por seus companheiros no DF(foto: Arquivo pessoal)
Os casos de feminicídio crescem de forma assustadora no Distrito Federal. A capital registrou 19 ocorrências até ontem, a mesma quantidade do anotado nos 12 meses do ano passado. Houve três crimes nos últimos três dias. No mais recente, ontem de manhã, um policial militar matou a ex-companheira a tiros e tirou a vida em seguida. Na segunda-feira, uma mulher morreu ao despencar da janela do terceiro andar do apartamento onde morava com o marido, preso sob suspeita de tê-la jogado ou a empurrado. No domingo, um taxista também matou a mulher a tiro e fugiu. Policiais o prenderam ontem.
Os registros de agressões contra mulheres que não culminaram em morte também aumentaram este ano no DF. No primeiro semestre, houve 7.169 ocorrências desse tipo de crime, contra 7.029 de janeiro a junho do ano passado. Nesses casos, as três principais formas de ataque são a psicológica (69,3% dos registros), seguida de agressões físicas (52,1%) e violência patrimonial (11,24%).

Na frente dos filhos

Marília Jane de Sousa Silva, 58 anos. » Morta a tiro pelo marido, Edilson Januário de Souto, 61, na casa dos dois, na quadra 405 do Recanto das Emas, na noite de domingo, após ele passar a tarde bebendo em um bar. Edilson fugiu logo em seguida e foi preso ontem(foto: Reprodução)
Marília Jane de Sousa Silva, 58 anos. » Morta a tiro pelo marido, Edilson Januário de Souto, 61, na casa dos dois, na quadra 405 do Recanto das Emas, na noite de domingo, após ele passar a tarde bebendo em um bar. Edilson fugiu logo em seguida e foi preso ontem(foto: Reprodução)

O PM Epaminondas Silva Santos, 51 anos, assassinou a tiros a ex-mulher, Adriana Castro Rosa Santos, 40, por volta das 10h de ontem, dia em que a Lei Maria da Penha completou 12 anos. Ele parou de moto na calçada da casa de Adriana e chamou por ela. Quando a vítima saiu, o militar deu três tiros, sendo dois na cabeça da vítima. O terceiro foi contra a própria boca. Ambos morreram na hora. No momento do crime, os três filhos do casal, um menino de 11 anos, uma menina de 8 e o caçula, de 5, brincavam na garagem.

Epaminondas era sargento do 8º Batalhão (Ceilândia) e, segundo uma vizinha que não quis se identificar, não aceitava a separação de Adriana. Por isso, ela morava com a mãe. Em nota, a PMDF afirmou lamentar imensamente o caso. “O trabalho diário dos policiais militares nas ruas do DF visa, entre outras coisas, evitar esse tipo de crime. A PMDF se solidariza com os familiares e está à disposição para auxiliar no que for necessário”, diz o texto.

Rotina de brigas

Carla Graziele Rodrigues Zandoná, 37 anos » Caiu da janela do terceiro andar de um dos prédios da 415 Asa Sul, na noite de segunda-feira. O marido, Jonas Zandoná, 44, é suspeito de tê-la jogado. Carla havia denunciado Jonas duas vezes à polícia por agressões físicas(foto: Reprodução)
Carla Graziele Rodrigues Zandoná, 37 anos » Caiu da janela do terceiro andar de um dos prédios da 415 Asa Sul, na noite de segunda-feira. O marido, Jonas Zandoná, 44, é suspeito de tê-la jogado. Carla havia denunciado Jonas duas vezes à polícia por agressões físicas(foto: Reprodução)

Brigas, discussões e agressões marcaram o relacionamento entre Jonas Zandoná, 44 anos, e Carla Graziele Rodrigues Zandoná, 37. Na noite de segunda-feira, a mulher caiu da janela do terceiro andar de um prédio na 415 Sul e morreu ao dar entrada no hospital. A suspeita é de que o marido tenha a arremessado do edifício. O casal estava junto havia ao menos 18 anos e dividia a residência com Salmon Lustosa Evas, 75 anos. Aos investigadores da 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul), testemunhas informaram que as brigas no imóvel eram frequentes e que o homem agrediu a mulher dois dias antes de ela morrer.

Salmon estava no apartamento no momento do crime, mas contou aos agentes que dormia, por isso não viu nem escutou nada. Em depoimento, o idoso disse que, no sábado, Jonas tentou estrangular a vítima e que as brigas eram constantes. Ele morava com o casal havia 18 anos. Carla denunciou Jonas duas vezes por violência doméstica. Os agentes aguardam perícia necroscópica para identificar se a vítima tinha sinais de agressões. Ela estava com algumas escoriações no braço direito, mas os investigadores não souberam precisar em que momento ocorreram.

Jonas também tinha pequenos ferimentos nas mãos e nos braços, mas afirmou não se lembrar do que tinha ocorrido. Ele estava aparentemente embriagado no momento da prisão. Policiais militares arrombaram a porta do apartamento, pois ele se trancou no imóvel após a morte de Carla. Jonas foi indiciado por homicídio triplamente qualificado — motivo torpe, não apresentar possibilidade de defesa e feminicídio. Se condenado, pode pegar até 30 anos de cadeia. Na tarde de ontem, o Tribunal de Justiça (TJDFT) converteu a prisão dele em preventiva. Até então, estava preso em flagrante. Carla será velada no Cemitério Campo da Esperança de Taguatinga, hoje. O velório terá início às 12h e o sepultamento está previsto para ocorrer às 14h30.

Taxista se entrega

Adriana Castro Rosa Santos, 40 anos » Assassinada pelo marido, o policial militar Epaminondas Silva Santos, 51, que, em seguida, se matou, no Riacho Fundo 2, ontem de manhã. Eles estavam em processo de separação e tinham três filhos, de 11, 8 e 5 anos.(foto: Reprodução)
Adriana Castro Rosa Santos, 40 anos » Assassinada pelo marido, o policial militar Epaminondas Silva Santos, 51, que, em seguida, se matou, no Riacho Fundo 2, ontem de manhã. Eles estavam em processo de separação e tinham três filhos, de 11, 8 e 5 anos.(foto: Reprodução)

O taxista Edilson Januário de Souto, 61 anos, se entregou na 27ª Delegacia de Polícia (Recanto das Emas), ontem. Ele é acusado de matar a mulher, Marília Jane de Sousa, 58, no domingo. Edilson teria passado o dia em um bar, a menos de 500m de onde morava com Marília. Quando chegou à residência, discutiu com Marília e atirou quatro vezes. A mulher tentou correr, mas um dos disparos a acertou no tórax, enquanto tentava sair pelo portão. Depois de matá-la, o taxista arrasou o corpo para dentro da garagem e fugiu de carro.

Acompanhado de um advogado, Edilson afirmou que só se manifestará em juízo. “Ele deve responder por feminicídio. Ainda não localizamos a arma do crime, por isso, não temos como indiciá-lo por porte ilegal de arma”, explicou a delegada Simone Alencar, da 27ªDP. O acusado está preso na Papuda.

Termo criado em 1976

O termo feminicídio é usado desde a década de 1976, quando o Primeiro Tribunal Internacional de Crimes contra as Mulheres, em Bruxelas, na Bélgica, tratou das mortes de mulheres nos Estados Unidos e no Líbano. Além do Brasil, outros 16 países da América Latina utilizam o termo no código criminal como uma forma de agravante penal de homicídios.
Fonte: https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2018/08/08/interna_cidadesdf,699604/df-ja-registra-19-feminicidios-este-ano-mesmo-numero-de-2017-inteiro.shtml

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