CB – DF registra oito casos de feminicídio no primeiro trimestre de 2018 – 24052018

DF registra o terceiro caso de feminicídio no primeiro trimestre de 2018

Outras 18 partidas foram


EM  Erika Manhatys * EM  Isabela Nóbrega *

postado em 24/05/2018 06:00

(foto: Editoria de arte / CB / DA Press)

(foto: Editoria de arte / CB / DA Press)
O Distrito Federal registrou, no primeiro trimestre de 2018, oito casos de feminicídio e 18 tentativas. O caso mais recente aconteceu na tarde de ontem. Wesley de Sousa Silva, 41 anos, é acusado de tentar matar a esposa a facadas. Ainda com a faca cravada nas costas, a mulher foi atendida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhada ao Hospital Regional de Ceilândia.
O crime ocorreu no Sol Nascente, na residência do casal. 

Açou teve o desejo de ser operado e passou por uma cirurgia que durou cerca de três horas. Wesley se escondeu na casa da irmã, em Ceilândia, onde foi preso por policiais militares e encaminhado à 24ª Delegacia de Polícia. O agressor foi autuado por tentativa de feminicídio.
Também foi, mas de madrugada, uma jovem de 19 anos foi socorrida pela Polícia Militar em Samambaia, com as patas, na testa, nas pernas e nos pés, feitas por seu namorado, um adolescente de 17 anos. O casal foi encaminhado para uma Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA). O agressor também não existe.

Relação afetiva

Nos casos de tentativa de feminicídio, 67% das mulheres foram agredidas dentro de casa e o perfil dos agressores gira em torno da relação afetiva. Os 18 anos do Secretariado de Segurança Pública e Paz do DF, dos 18 casos deste ano, dos 12 anos foram convidados a receber, dos três ex-maridos, dos dois namorados e de um, ex-namorado. Os assassinatos eram vínculos às cinco, cinco eram pares, dois eram namorados e um era filho. Cinco autores foram presos em flagrante e três se mataram após o crime. Das cinco mulheres mortas, quatro anos entre 30 e 50 anos, entre 18 e 29 anos e duas dos 50.
As regiões onde mais se registraram crimes contra uma mulher foram: Ceilândia, Planaltina e Recanto das Emas, cada uma com suas ocorrências. Dada a natureza do crime e dos agressores, a armadura de fogo e cinco por outros meios, como o atropelamento e o fogo.
* Estagiárias no Terraço  de Renato Alves
Fonte: https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2018/05/24/interna_cidadesdf6782990/df-registra-oito-casos-de-feminicidio-no-primeiro-trimestre-de- 2018. shtml

CB – Com greve dos caminhoneiros, falta etanol em postos de combustíveis do DF – 24052018

Com greve dos caminhoneiros, falta etanol em postos de combustíveis do DF

Diante da greve dos caminhoneiros, combustível parou de chegar às bombas da maioria dos postos de Brasília


postado em 23/05/2018 17:49 / atualizado em 23/05/2018 18:34

(foto: Andressa Paulino/Esp/CB/D.A Press)

(foto: Andressa Paulino/Esp/CB/D.A Press)

O bloqueio de estradas por parte dos caminhoneiros em todo o país já mostra reflexo direto para os consumidores brasilienses. A reportagem do Correiopercorreu vários postos do DF e já não há mais etanol disponível para revenda. Para piorar a crise, a previsão é de que os estoques de gasolina também durem só até esta quinta-feira (24/5). Na Asa Sul, por exemplo, ao menos cinco postos estão sem o etanol: no Eixo W, na altura da 105, 106 Sul e 115 Sul, além do Eixo L, na altura da 204 Sul.

Os caminhoneiros protestam contra os altos preços dos combustíveis. A crise no abastecimento provocada pelo protesto fez com que o valor do litro da gasolina disparasse. No Posto da Torre, na região central de Brasília, por exemplo, ele já é vendido a R$ 4,99.
Continua depois da publicidade

A falta de combustível também tem prejudicado a operação do Aeroporto de Brasília. Em um comunicado divulgado na tarde desta quarta-feira, a Inframerica informou que os estoques chegaram a níveis insuficientes e que só poderão pousar no terminal brasiliense os aviões que tiverem combustível suficiente para decolar, sem necessidade de abastecimento.O protesto de caminhoneiros nas estradas do país por causa da disparada no preços dos combustíveis entrou no terceiro dia nesta quarta. No Distrito Federal e Entorno, quatro rodovias continuam interditadas pelos caminhoneiros. Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF) do DF, a BR-060 está interditada em três pontos. No km 30, na altura do Engenho das Lages, usuários relatam que nenhum veículo passa pelo bloqueio no sentido Brasília. Já no sentido Goiânia, apenas os caminhões são parados, os carros de passeio estão liberados. Os outros pontos de bloqueio na rodovia estão no km 13, próximo ao posto de gasolina Asa Branca, e no km 28, na altura de Alexânia (GO).

Na BR-050, o protesto acontece no km 98, em Cristalina. Seguno a PRF, alguns caminhoneiros tentam deixar a manifestação e acabam impedindo a passagem de outros veículos. Há congestionamento no local. Na BR-020 também há três pontos de interdição. No km 1, 10 e 13. A manifestação também continua na BR-040, no km 95, altura de Cristalina, e no km 10, em Luziânia. Já a BR-070, que foi fechada por caminhoneiros na segunda-feira, teve a manifestação finalizada e a pista liberada.

Por causa da manifestação, a entrega de combustível nos postos e empresas de ônibus está sendo prejudicada. Com a falta de combustível, algumas empresas de ônibus anunciaram que devem reduzir a frota nesta quarta-feira (23/5) no estado.


*Estagiária sob supervisão de Ana Letícia Leão.

Fonte: https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/economia/2018/05/23/internas_economia,682880/falta-etanol-em-postos-do-df.shtml

Carta Capital – Você sabe o que é o Foro de São Paulo? – 24112014

Política

América Latina

Você sabe o que é o Foro de São Paulo?

por Diogo Antonio Rodriguez — publicado 24/11/2014 05h49, última modificação 24/11/2014 09h51
Composto por partidos e movimentos de esquerda da América Latina e Caribe, como o PT, o fórum desperta o medo e a desinformação.

Foro de São Paulo, composto por partidos e movimentos de esquerda da América Latina e Caribe, como o PT, o fórum desperta o medo e a desinformação. Saiba qual é a origem dessa organização, quem são seus membros e o quais seus planos para o futuro.

O que é o Foro de São Paulo?

É uma organização que junta vários partidos e movimentos sociais populares e de esquerda da América Latina e do Caribe. Ele foi fundado em 1990 pelo PT do ex-presidente Lula e pelo Partido Comunista Cubano de Fidel Castro, entre outros.

O Foro é uma organização comunista?

Não. As organizações que fazem parte do Foro são, sim, de esquerda. E também é verdade que alguns partidos comunistas são membros, mas o Foro em si não pertence a nenhuma corrente específica. Ele se autodeclara como sendo de esquerda, anti-imperialista, socialista e democrático.

O que faz o Foro de São Paulo?

É um fórum de debates que discute as alternativas à visão neoliberal da economia e da política. Esses grupos e partidos de esquerda trocam experiências e conhecimento a respeito de como construir políticas sociais. Explico melhor: no final dos anos 80, com a queda da União Soviética, parecia que a esquerda estava destinada a acabar. Alguns até sugeriam que a visão neoliberal da sociedade – baseada na utopia de que o livre mercado seria capaz de promover crescimento econômico para todos – era o “fim da história”. O Foro surgiu justamente para oferecer um contraponto a essa visão.

Ouvi dizer que o objetivo do Foro é implementar o comunismo na América Latina e que já está fazendo isso em vários lugares, como na Bolívia e na Venezuela. É verdade?

Não. Como já dissemos, o Foro de São Paulo apenas reúne seus participantes de dois em dois anos para discutir questões que sejam pertinentes aos seus membros. E em vários países há governantes de partidos integrantes do Foro sem que isso tenha significado o fim da democracia. No Chile, por exemplo, onde Michelle Bachelet, socialista, governou por um mandato para dar lugar a um presidente conservador em seguida (Sebastián Piñera, do Renovação Nacional).

Que países são governados por políticos que fazem parte do Foro?

Vários países da América Latina e do Caribe. Os principais são Brasil, Uruguai (Pepe Mujica), Argentina (Cristina Kirchner), Bolívia (Evo Morales), Chile (Michelle Bachelet), Peru (Ollanta Humala) e Equador (Rafael Correa) e outros.

É verdade que as FARC fazem parte do Foro de São Paulo?

Não. As FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, grupo guerrilheiro) tentaram participar de duas reuniões em 2004 e 2008, mas não conseguiram porque foram impedidos e não fazem parte do grupo. Em 2008 inclusive quem barrou a presença das Farc foi o PT, que ocupava a secretaria-executiva da entidade.

Dizem que o Foro era secreto até 1997. Verdade?

O Foro nunca foi secreto. Talvez ele fosse desconhecido porque a esquerda latino-americana começou a crescer no final dos anos 90, mas, pelo menos desde 1995 os jornais brasileiros sabiam da existência do grupo e noticiavam seus encontros, mesmo que fosse de maneira discreta.

Fonte: https://www.cartacapital.com.br/politica/voce-sabe-o-que-e-o-foro-de-sao-paulo-7773.html

Inédito: Íntegra em português da Declaração Final do 23º Encontro do Foro de São Paulo – “Nossa América está de pé na luta”

FORO DE SÃO PAULO

24/07/2017

No dia 19 de julho foi aprovada a Declaração Final do 23º Encontro do Foro de São Paulo. O rico documento da esquerda latino-americana e caribenha divide-se, depois da introdução, em quatro partes: 1 – Nossa América em sua hora decisiva; 2 – O âmbito cultural e comunicacional; 3 – Projeções gerais em curto e médio prazos; e 4 – Eixos de mobilização popular. Por ser um documento de leitura obrigatória para todo o militante latino-americano, o Resistência publica abaixo a íntegra da declaração em português, com tradução de Maria Helena De Eugênio.

Nossa América está de pé na luta

No rumo da Unidade de Nossa América para sua segunda e definitiva independência

Depois de mais de cinco séculos de dominação estrangeira e luta indígena e popular pela emancipação, pela primeira vez na história da América Latina e do Caribe seus povos alcançaram uma substancial acumulação social e política, incluindo a ocupação dos espaços institucionais que nos coloca diante de uma formidável oportunidade e um enorme desafio de desenvolver processos de transformação revolucionária ou reforma social progressiva.

Na primeira década de eleições e sucessivas reeleições dos governos de esquerda e progressistas (1999-2009), a necessidade de transformar a sociedade e os espaços institucionais recém-ocupados, fez com que houvesse a negligência do desafio de construir a hegemonia popular, única fonte de poder capaz de fornecer a força necessária para derrotar as tentativas previsíveis do imperialismo e das oligarquias para reconquistar seu antigo domínio monopólico do Estado, e a vacina para imunização contra as insuficiências, desvios e erros que provocam o esvaziamento social e político.

Na época da segunda década do atual estágio da luta (2009 até o presente) esse é o desafio que dificulta o reconhecimento da oportunidade de transformar ou reformar as nossas sociedades. Onde as forças de esquerda e progressistas perderam o controle do poder executivo (Honduras, Paraguai, Argentina e Brasil) os povos fortalecem a luta contra a nova onda neoliberal, e reorganizam-se para reconquistar os espaços perdidos. E onde resistem à ofensiva obstinada para fechar espaços democráticos e reverter as transformações sociais, na Venezuela, Bolívia, Equador, Uruguai, Nicarágua e El Salvador, as nossas forças continuam trabalhando em função da transformação social para alcançar sua emancipação total e definitiva, criar um verdadeiro sistema de integração regional e contribuir para a construção de um mundo multipolar no qual prevaleça uma correlação de forças favorável aos povos.

Hoje enfrentamos uma nova fase de ataques ferozes do imperialismo, da direita e das forças oligárquicas ao seu serviço, o que exige uma plataforma política da esquerda, que sirva como um instrumento para reagrupar nossas forças no espaço do governo, dos partidos e movimentos sociais e intelectuais, com o objetivo de relançar o processo de integração da América Latina e do Caribe, que tem como o seu mais precioso espaço a Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac), e cujo desenvolvimento e consolidação devem estar em nossos objetivos estratégicos de primeira ordem.

No 50º aniversário do assassinato de Che Guevara e no Centenário da vitória da Grande Revolução Socialista de Outubro, não poderia haver melhor homenagem do que, juntamente com as análises autocríticas, alcançar a criação de uma frente comum continental anti-imperialista que nos leve à segunda e definitiva independência, através da luta popular e do aprofundamento dos processos de mudança progressista e revolucionária no nosso continente.
Após 27 anos, o Foro de São Paulo continua a trabalhar para se fortalecer como um espaço de discussão, diálogo e convergência da esquerda da América Latina e Caribe. O documento Consenso da Nossa América, em permanente elaboração, é uma contribuição para este objetivo político para a unidade necessária e indispensável dos nossos povos na luta que devemos liderar.

Nossa América em sua hora decisiva

"Este 23º Encontro do Foro de São Paulo teve como conteúdo fundamental a BATALHA PELA VENEZUELA"

A América Latina e o Caribe continuam sendo um cenário de luta entre as oligarquias locais aliadas do imperialismo e os povos organizados em suas lutas patrióticas e anti-imperialistas, rumo ao socialismo.

Hoje, nosso continente vive momentos cruciais de sua história, em que cada vez são mais visíveis os efeitos da crise econômica e financeira, política e moral do sistema capitalista. Grandes economias estão cada vez mais pressionadas pela crise de superprodução e saturação de seus mercados, o que gera deficit comercial, endividamento, tensão orçamentária e a precarização crescente, agora já não mais provocada apenas pelo exterior, mas também domesticamente.

A globalização neoliberal foi projetada e serviu para favorecer as potências imperiais, que não renunciaram nem renunciariam jamais a proteger suas fronteiras e manter empresas rentáveis em todos os cantos do mundo, especialmente aquelas que extraem matérias-primas para a indústria. Nem tampouco desistiram de eliminar as fronteiras tarifárias com os demais países, nem de desestabilizar politicamente nossos governos e corroer a soberania de nossos povos. Outra coisa é o neoprotecionismo do império, impulsionado por Donald Trump, com o qual se pretende modificar em favor dos Estados Unidos, mas não suprimir – os termos sob os quais tenham sido estabelecidas relações dos EUA com o resto do mundo, no âmbito da globalização neoliberal que as potências imperialistas têm impulsionado e o seguirão fazendo.

Os principais ataques do imperialismo e seus aliados na América Latina e no Caribe são contra a Venezuela e sua Revolução Bolivariana, por seus valiosos recursos naturais e sua importância geopolítica e estratégica. A opinião imperialista é que a sua derrota provocaria um efeito dominó na esquerda nos governos da América Latina e Caribe, especialmente nos países da Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América – Tratado de Comércio dos Povos (ALBA-TCP), além de enfraquecer os paradigmas da coordenação política, cooperação e integração promovidos pelos governos dos países-membros da aliança. Daí a importância de defender a Venezuela e prevenir a consumação deste plano.

A batalha pela Venezuela é a batalha pelo continente e pelo mundo. O triunfo das forças revolucionárias na Venezuela representa o triunfo de todas as forças de esquerda no mundo inteiro e em especial, na América Latina e no Caribe. Sendo a Revolução Bolivariana o alvo de ataque principal do imperialismo e de seus lacaios, o movimento revolucionário e progressista latino-americano e mundial não podem fazer menos do que ter como principal prioridade em seus planos de luta e estratégias a defesa da Revolução Bolivariana até as últimas consequências. É por isso que este 23º Encontro do Foro de São Paulo teve como conteúdo fundamental a BATALHA PELA VENEZUELA.

São processos desestabilizadores bem conhecidos realizados pelo imperialismo norte-americano através de oligarquias locais, contra as mudanças progressistas e revolucionárias em nosso continente. Os golpes de Estado em Honduras, no Paraguai e no Brasil; as tentativas de golpe na Venezuela e a guerra econômica contra este país; as tentativas de golpe policial no Equador e secessionista na Bolívia; a ameaça de vetar o acesso da Nicarágua a créditos das organizações financeiras internacionais, com a iniciativa legislativa da extrema direita dos EUA conhecida como Lei Nica; a campanha de obstrução e descrédito da gestão do governo da FMLN; a judicialização da política na Argentina, no Brasil e em El Salvador; bem como declarações ofensivas e descontextualizadas do presidente Donald Trump contra Cuba e, mais recentemente, com relação aos Estados Unidos que tomarão medidas econômicas fortes e rápidas, no caso de a Venezuela levar adiante a eleição da Assembleia Nacional Constituinte, marcada para 30 de julho. Estes são apenas alguns exemplos da intervenção imperialista em nossos países.

Depois de um ano do golpe no Brasil, existem medidas tomadas pelos golpistas que têm sérias repercussões internacionais, especialmente em nossa região, como as reformas trabalhistas e de seguridade social, que violam várias convenções da OIT, além de promoverem uma política externa subordinada ao imperialismo e de agressão ao governo venezuelano. O golpe é contínuo no Brasil que acaba de dar mais um passo com a condenação do ex-presidente Lula, de forma a impedir que seja candidato novamente à Presidência da República, em 2018.

Um golpe contra um é um golpe contra todos e estamos todos ao lado de Lula, de seu partido e de seus aliados, em defesa da democracia e contra o retrocesso econômico, social e político, vigente agora no Brasil.

Desde o triunfo da Revolução Bolivariana, em 1998, que inaugurou a fase ascendente para a esquerda latino-americana e caribenha na luta pelo poder, chegando ao governo em dez nações latino-americanas, somente na Argentina, as forças populares perderam. Este é um fato que prova conclusivamente a força dos processos de mudança no nosso continente. Enquanto isso, em Cuba, Nicarágua, Equador, Bolívia, Uruguai e El Salvador os governos de esquerda consolidam-se cada vez mais.

Em Cuba avança a passo firme a atualização do modelo econômico e social e a consolidação do Partido como suporte para a continuidade histórica do processo revolucionário. Na Nicarágua avança a Revolução Sandinista em sua segunda etapa, criando o poder popular e reduzindo a pobreza e a desigualdade social no marco do modelo de consenso e alianças com amplo e sustentado respaldo da população. No Equador tem lugar a renovação criativa do processo de mudanças e transformações da Revolução Cidadã liderada inicialmente pelo companheiro Rafael Correa. Na Bolívia a Revolução Democrática e Cultural tem alcançado grandes conquistas sociais, o que fortalece a liderança do presidente Evo Morales, indicado pelos movimentos sociais para as eleições de 2019 no marco da Constituição e das leis, para assegurar a continuidade do processo revolucionário. No Uruguai se prioriza, nas políticas de governo, os aspectos sociais que têm significado importantes avanços em áreas como a saúde, a educação, os direitos trabalhistas, assim como também em segurança pública e infraestrutura. Em El Salvador a esquerda luta para ampliar e consolidar a transição democrática iniciada a partir dos acordos de Paz de 1992, e as transformações sociais e econômicas iniciadas desde a chegada ao governo em 2009 e 2014 pela FMLN, enfrentando permanentemente os intentos da direita oligárquica de revertê-las e/ou estancá-las. Na Venezuela, apesar de a crise causada por manobras do imperialismo e da guerra econômica contra o povo e o governo, as forças bolivarianas têm conseguido manter a iniciativa com a Convocação da Assembleia Nacional Constituinte para o aprofundamento da Revolução Bolivariana e a defesa da paz e da estabilidade no país, que gradualmente vai logrando sair da crise, em que pese a imagem que em sentido contrário apresentam os meios de desinformação.

Desde o início da ofensiva imperial atual, a esquerda conquistou três vitórias presidenciais: em El Salvador com o professor Salvador Sánchez Ceren em 2014, na Nicarágua com Daniel Ortega em 2016, e no Equador com o camarada Lenin Moreno Garcés em 2017, dando continuidade ao processo da Revolução Cidadã. Esses são fatos que refutam a tese do “fim do ciclo progressista” na América Latina e no Caribe.

Encorajamos a unidade mais ampla e mais forte das forças progressistas e revolucionárias em cada país e em âmbito continental, e a dar um salto de qualidade em nossos mecanismos organizacionais, que nos permita definir uma estratégia e programa conjuntos de todas as forças de esquerda e progressistas do continente, sem lamentar revezes nem vangloriar-se de triunfos e, estando em permanente mudança autocrítica, ao mesmo tempo sermos firmes defensores de nossas conquistas, para aprofundá-las com iniciativa e audácia.

Onde a direita recuperou o governo, os povos estão erguidos para a luta, e as forças de esquerda e progressistas tem muitas possibilidades de voltar a governar em curto prazo. A direita só tem o neoliberalismo como projeto, que tanto mal já causou aos povos. Por isso – e como demonstram os acontecimentos no Brasil e na Argentina – a ferocidade das medidas de reação nos países onde recuperou o governo está sendo o fator que causa uma radicalização das forças populares e a ativação de setores que até agora pareciam distantes, apáticos e manipuláveis, comportamento que se vê favorecido pela situação econômica e social difícil, ainda há milhões de pessoas nos países da América Latina e do Caribe afligidos pela desigualdade, pobreza extrema, fome, desemprego, analfabetismo, falta de acesso à educação e aos mais elementares serviços básicos de saúde, uso de drogas, violência, discriminação e outros males próprios do capitalismo, que são exacerbados pelo modelo social neoliberal. Todos esses males sociais são acentuados com a política das potências imperialistas e oligárquicas que tentam minar as bases sociais da esquerda, através da mais atroz marginalização e banalização. A indústria do entretenimento é usada como uma droga para construir ídolos cada vez mais desumanizados e supérfluos.

Como expresso na Declaração Final da XIV Reunião de Cúpula de Chefes de Estado e de Governo da ALBA-TCP em Caracas, em 5 de março de 2017:

Os governos e os povos da ALBA-TCP vemos nestes fenômenos uma nova oportunidade para reagrupamento, mobilização e luta. Devemos apoiar as ações emancipatórias, definir horizontes claros e realistas, identificar bem os valores e princípios que nos unem e assumir um programa de integração, solidariedade e ação internacionalista, estabelecendo premissas econômicas, sociais e políticas de mudança libertadora.

Hoje, mais do que nunca, são atuais as palavras de Che na Assembleia Geral das Nações Unidas, citando a Segunda Declaração de Havana:

“Esta onda de trêmulo rancor, de justiça reclamada, de direito pisoteado, que começa a se levantar por entre as terras da América Latina, esta onda já não vai mais parar. Esta onda irá crescer a cada dia que passa. Porque esta onda é formada pela maioria, os que são majoritários em todos os aspectos, os que acumulam com seu trabalho as riquezas, criam os valores, fazem andar as rodas da história e que agora despertam do longo sonho embrutecedor a que os submeteram.

Porque esta grande humanidade disse Basta! e tem se levantado a andar. Em sua marcha de gigantes já não se deterá até conquistar a verdadeira independência…”

A revolução cubana abriu a era de luta continental pela libertação e o socialismo. Vinte anos depois, a Revolução Sandinista reavivou as esperanças na luta revolucionária e inaugurou a era do colapso das ditaduras militares da direita pró-imperialista no continente. Vinte anos depois, a Revolução Bolivariana foi o início de uma ofensiva revolucionária sem precedentes, em que até uma dúzia de países da América Latina tornou-se governada por forças progressistas e de esquerda.

Faltando pouco tempo para se completar o vigésimo aniversário da Revolução Bolivariana, novos processos de luta são desenvolvidos a partir do grande potencial revolucionário dos nossos povos. A única maneira de enfrentar a ofensiva imperialista é fortalecer a unidade das forças de esquerda e aprofundar os processos de mudança social em curso. Só assim se poderá incentivar e tornar crescente a luta dos povos para manter o terreno alcançado e avançar para novos triunfos populares na ampla Grande Pátria Latino-americana e Caribenha.

O aprofundamento das mudanças em andamento está na criação de um novo modelo político e econômico, no qual os cidadãos não só devem eleger representantes e governantes, mas também decidir a política pública de Estado e de Governo, tomar decisões, definir o quadro de ação dos representantes e funcionários eleitos e monitorar seu desempenho no que deveria ser uma nova instituição, a partir da qual os povos possam, portanto, exercer diretamente o poder. Um modelo que, na esfera econômica, consiste na coexistência de empresa privada com um novo setor econômico de caráter popular, em que os trabalhadores possam criar seus próprios meios de produção, e onde o Estado assegure esta democracia econômica e complemente o desenvolvimento das forças produtivas, a prosperidade com a equidade social e a erradicação da pobreza.

O aprofundamento das mudanças está também na estratégia de luta pelo poder, que implica não reduzir esta a uma luta eleitoral por parte do governo, incluindo na mudança as lutas sociais e a disputa por todos os espaços institucionais para a sua transformação, para impedir que a direita faça uso desses espaços para reverter as conquistas sociais alcançadas.

A concretização de um bloco político e social das mudanças para deslocar o bloco dominante deve ter na classe trabalhadora do campo e da cidade (assalariados ou não) o seu principal protagonista, acompanhada de amplos e diversos setores da sociedade, incluindo camadas médias, intelectuais e progressistas, pequenos produtores e empresários. A defesa e o aprofundamento das mudanças sociais e da democracia requer uma base ampla de apoio. A criação de um novo modelo político e econômico é parte indispensável na construção de uma nova forma de exercer o poder.

Esse novo modelo político e social necessita de um instrumento político que impulsione o protagonismo popular e a construção de uma vontade coletiva nacional e popular.

O apoio popular aos governos de esquerda é garantido com um programa que conduza à criação de atores econômicos de uma nova ordem social, que por sua vez são os protagonistas sociais do novo modelo político, baseado no exercício direto do poder pelos cidadãos, como parte de um processo de transformação social impulsionado por um instrumento político organizado através da ação política e ideológica das suas estruturas, em todas as áreas da vida social e a partir de um novo quadro institucional que seja a expressão do exercício direto do poder pelo povo.

Isto implica a necessidade de uma liderança revolucionária, que deve ser forjada fortemente e perdurar durante a implementação das mudanças sociais necessárias, para contribuir ao maior grau de irreversibilidade possível para os processos de transformação.

O Estado deve jogar o papel fundamental de dirigir e regulamentar a atividade econômica e, para tanto, deve garantir a distribuição justa da riqueza e implementar planos de desenvolvimento econômico e social que contem com o respaldo popular e articulem-se ao processo de integração regional latino-americano e caribenho.

O âmbito cultural e comunicacional

latinoamericaDevemos criar uma frente cultural e comunicacional anti-hegemônica que some os esforços dos governos progressistas e das forças políticas dos movimentos de esquerda e sociais. Não é possível uma verdadeira revolução se não for acompanhada por uma profunda revolução cultural e midiática.

Não se pode esquecer a opressão que temos sofrido os povos colonizados e neocolonizados, desde a conquista com o saque e a destruição até os primeiros ataques do nascente Império do Norte contra o México, arrebatando a este país a metade de seu território, e toda a história de exploração de nossos recursos naturais, intervenções armadas, ditaduras militares impostas pelos Estados Unidos e a continuação atual da opressão imperialista mediante a ação depredadora das corporações sobre nossos países, cuja pobreza se origina em toda essa história de latrocínio.

Isto se manifesta em toda a crônica sinistra de intervenções imperiais sucessivas na América Central e no Caribe, apoiando as ditaduras sangrentas, a gestação de golpes militares, o Plano Condor implementado pelas ditaduras militares do Cone Sul, com a sua sequela de torturas e desaparecimentos, o uso continuado do terrorismo, a guerra suja contra a Nicarágua na década de oitenta, o bloqueio criminoso e operações subversivas contra Cuba e outros países progressistas do continente, constituem um legado que não se pode esquecer.

Por causa disso, devemos usar as efemérides associadas a esta história para conduzir campanhas, eventos, fóruns virtuais e outras iniciativas que nos ajudem a disseminar a verdade, livre de distorções e manipulações; e estimular a elaboração da análise crítica sobre “obras” e “figuras” contidas em falsos ídolos e sobre armadilhas do aparato de legitimação do sistema capitalista, desmontando e denunciando suas manipulações.

As forças de esquerda devem fazer o possível para fomentar redes que articulem os núcleos de resistência cultural que estão dispersos; criar uma frente de pensamento anti-hegemônico, sob princípios capazes de aproximar pessoas e grupos de filiações políticas diversas, desde as mais radicais até as de inspiração humanista.

É necessária também a mudança do discurso e da linguagem política, baseando-os em novos códigos, que incluam um enfoque adequado de classe, identidade e gênero, que mantenha a honestidade, a comunicação direta e confiável entre as pessoas, capaz de ouvir e refletir as suas preocupações e interesses e contribuir para o desenvolvimento do pensamento independente, comprometido com a transformação emancipatória. A defesa permanente da verdade é essencial na atuação da esquerda.

É necessário impulsionar a criação de entidades de investigação e fomento que funcionem como aliadas dos movimentos sociais e progressistas de esquerda para influir no campo da cultura. Ali onde já existam estas entidades, há que se potenciá-las ao máximo, apresentado-as aos setores intelectuais sem nenhum tipo de sectarismo. Algumas destas entidades podem ter um papel ativo na produção de conteúdos e na geração de propostas para escoar nossas ideias, tendo em conta os enormes investimentos que tem feito e segue fazendo o Império para disseminar estratégias cada vez mais sutis a serviço de seus interesses.

Deve se dar visibilidade a figuras e obras que representem a cultura da resistência; devem ser identificados eventos e programas culturais, onde essas figuras possam ser apresentadas e promovidas; desmontar os embustes do neoliberalismo e do capitalismo e promover as ideias de emancipação, com o apoio da intelectualidade que a máquina hegemônica exclui. Nosso desafio está em nos somar a essa vanguarda e garantir um uso eficaz das novas tecnologias, em função da participação cidadã e da defesa das causas e ideias verdadeiramente justas.

Os ativistas das redes sociais devem ser conectados àqueles que usam como um meio de expressão de suas demandas as emissoras de rádio e televisão comunitárias, para que a verdade vá encontrando circuitos para que seja divulgada, em meio ao dilúvio de mentiras. Devemos incorporar à nossa agenda os temas culturais e adicionar à nossa luta, sem prejuízos, os esforços daqueles que enfrentam o discurso hegemônico no campo intelectual, especialmente na batalha midiática.

É necessário fazer pleno uso das redes sociais, criar meios alternativos em todos os formatos existentes (rádio, televisão, mídia social, imprensa), que nas mãos dos comunicadores sociais gerem debates sem manipulação, informações a partir de posições firmes de esquerda distante do panfletário, que é estéril, mas com liderança política e conteúdo ideológico.

Devemos garantir também a penetração na mídia comercial e meios de comunicação convencionais, para incluir as vozes progressistas e combater a guerra midiática da direita continental contra os governos progressistas do continente. Devemos vincular esta tarefa com o estudo da história e da teoria revolucionária, de modo a sermos capazes de fortalecer a luta de ideias, que é a mais importantes das lutas revolucionárias.

Todas estas tarefas constituem exigências destes tempos em que, talvez como nunca, é decisivo diversificar as vias para chegar as bases e multiplicar nossa capacidade para – como nos disse Fidel – ‘semear ideias, semear consciência’.

Projeções gerais em curto e médio prazos

america-latinaÉ necessária a mobilização das forças progressistas e de esquerda, tanto em nível político-partidário quanto dos movimentos sociais, identificando os temas que podem gerar unidade no mais amplo espectro político possível, com o objetivo de desenvolver uma agenda para a consolidação da unidade das nossas forças e promoção da Celac como o principal espaço de concertação da região.

É preciso avançar na concertação entre as forças políticas e os movimentos de esquerda, para que seja possível a ação coordenada nos foros regionais e internacionais e no enfrentamento da ofensiva imperialista e de direita.

Devem ser ampliados os espaços de consulta e cooperação com todos os atores e organizações internacionais que desafiam a hegemonia dos EUA e defendem um mundo multicêntrico e multipolar.

Todos os aspectos que representam debilidades do imperialismo e das forças das oligarquias devem ser detectados, estudados e aproveitados, ao máximo, assim como suas próprias contradições.

Tendo em conta que a livre circulação do capital, a falta de controle da banca privada e a cobiça dos donos das empresas e corporações que permitiu que na América Latina se evadam U$ 340 milhões de dólares, convertendo-se isto em um enorme escândalo de corrupção do setor privado, invisibilizada pelas corporações midiáticas, apoiamos a proposta do governo equatoriano de criar um organismo internacional tributário nas Nações Unidas e reconhecemos seu esforço executivo e legislativo na luta contra os paraísos fiscais.

O compromisso com a proclamação da América Latina e do Caribe como Zona de Paz, adotado na Segunda Cúpula da Celac, realizada em Cuba em janeiro de 2014, deve orientar a nossa ação internacional e defender os valores universalmente reconhecidos pelo direito internacional e consagrados na Carta das Nações Unidas. Isto deve incluir um profundo compromisso anti-imperialista e, portanto, anticolonialista, que reivindique o direito à independência, à soberania e à autodeterminação dos povos.

Uma ameaça ou agressão do imperialismo contra algum dos nossos países deve ser reconhecida por cada qual como uma ameaça e agressão a todos aqueles que integram a frente continental de forças progressistas e de esquerda, assim como uma afronta e violação à Proclamação da América Latina e o Caribe como Zona de Paz.

Eixos de mobilização popular

"Apoiamos plenamente a mobilização dos trabalhadores brasileiros contra as políticas neoliberais e antipopulares do governo golpista de direita de Temer, e a Lula em sua luta por justiça e democracia social, que desencadeou a fúria de seus oponentes, que desejam inabilitá-lo politicamente"

Nossa luta é parte da luta global que usa diferentes formas para enfrentar a ofensiva imperial dos Estados Unidos. Neste sentido, apoiamos e assumimos o desafio da recente declaração das bancadas da esquerda da Europa e América Latina.

Condenamos o fortalecimento do militarismo em todo o mundo e exortarmos os Estados Unidos e a Europa a encerrar às incursões militares que desestabilizam os países do Oriente Médio, para apoderarem-se de seus recursos naturais, em clara cumplicidade com grupos terroristas, que tanta desolação e morte têm levado aos povos afetados e é a verdadeira origem da migração em massa para a Europa daqueles que fogem da morte da guerra levada pela mesma Europa aos seus países.

Denunciamos o papel da Organização dos Estados Americanos (OEA) como o Ministério das Colônias dos Estados Unidos, que desde a Secretaria-Geral e de maneira particularmente beligerante nos últimos anos, se tem posto sempre a serviço dos interesses da ingerência externa e faz vista grossa ante os múltiplos atentados contra a democracia e graves violações dos direitos humanos por parte dos governos oligárquicos e pró-imperialista da América Latina e Estados Unidos.

Condenamos a guerra não convencional e de amplo espectro, econômica e midiática contra a Venezuela pela direita oligárquica venezuelana que, estimulada pelo governo dos EUA, está empenhada em desestabilizar e pôr fim, por meio do terrorismo, ao governo democraticamente eleito do presidente Nicolás Maduro, que apesar da situação econômica difícil, continua a alocar 70% do orçamento público para o bem-estar de seu povo.

O foro de São Paulo se declara em estado de alerta e em Sessão Permanente, em apoio à luta do povo venezuelano em defesa da Revolução Bolivariana.

Nos solidarizamos com as forças políticas e sociais que são reprimidas e perseguidas pelo governo do presidente Mauricio Macri.

Estamos solidários com a paz na Colômbia e denunciamos todo o conjunto de ações com que a extrema-direita deste país pretende boicotá-la; as matanças sistemáticas de dezenas de líderes sociais, defensores dos direitos humanos, lutadores pela paz e indultados das FARC e suas famílias por forças paramilitares abrigadas sob o manto protetor do terrorismo de Estado; e exigimos o total cumprimento do Acordo de Paz, especialmente a libertação dos presos políticos que estão em greve de fome há vinte e quatro dias exigindo o cumprimento da lei de anistia. Da mesma forma apoiamos as negociações com o Exército de Libertação Nacional (ELN).

Exigimos a liberdade de Simón Trinidad e Sonia, revolucionários colombianos e combatentes das Farc, que continuam presos nos Estados Unidos, injustamente, uma vez que as falsas acusações contra ambos foram, um após a outra, desmascaradas.

Exigimos a liberdade de Milagro Sala, Deputado do Parlasul, dirigente social argentina e prisioneiro política, por defender os direitos dos setores mais pobres e negligenciadas em seu país.

Regozijamo-nos com a liberdade de Óscar López Rivera, o lutador pela independência de Porto Rico, recentemente libertado da prisão, graças a uma campanha internacional obstinada pela sua liberdade e sua forte resistência e firmeza inabalável.

Apoiamos plenamente a mobilização dos trabalhadores brasileiros contra as políticas neoliberais e antipopulares do governo golpista de direita de Temer, e a Lula em sua luta por justiça e democracia social, que desencadeou a fúria de seus oponentes, que desejam inabilitá-lo politicamente.

Solidarizamo-nos com o povo e o governo da Nicarágua, que atualmente enfrentam a ameaça de um veto dos Estados Unidos contra o acesso ao crédito em instituições financeiras internacionais, como chantagem política pelos setores mais reacionários do Congresso, do Senado e o governo dos EUA, estimulados pela direita nativa, com a ilusão de que, como resultado disso, os ditames imperialistas sejam acatados pelos sandinistas, cujas raízes estão na luta vitoriosa de Augusto C. Sandino contra as tropas intervencionistas dos EUA, e que contam com o apoio popular e uma correlação de forças amplamente favorável, em todas as áreas da vida política nacional.

Estamos solidários com o povo e o governo de El Salvador, que conseguiu deter e começa a reverter a crise econômica resultante de duas décadas de governos neoliberais, reduzir a pobreza em 8% e implementar um plano de segurança bem-sucedido, apesar de ter sido submetido a uma estratégia multifacetada e desestabilizadora, que inclui o bloqueio econômico à gestão do governo, pelo partido da oligarquia (ARENA) na Assembleia Legislativa e por juízes a seu serviço, que controlam a Câmara Constitucional do Supremo Tribunal de Justiça.

Lutamos pela educação gratuita e o acesso à educação de qualidade; por uma cobertura de saúde universal, gratuita e de qualidade; a eliminação da fome e da desigualdade em toda a região.

Rechaçamos a criminalização dos imigrantes, as políticas anti-imigração e a violação dos direitos humanos e trabalhistas dos latino-americanos e caribenhos nos Estados Unidos. Apoiamos primordialmente a luta por manter os benefícios temporários de trabalho (TPS) que ajudam a centenas de milhares de famílias de El Salvador, Honduras, Nicarágua e Haiti. Repudiamos absolutamente as ameaças do governo dos Estados Unidos, do Partido Republicanos e de congressistas de direita que pretendem chantagear a estes e outros governos para forçar o voto em organismos internacionais como a OEA, em prol do apoio ao intervencionismo dos Estados Unidos, sob a ameaça de eliminar os benefícios migratórios destes povos. Defendemos que o governo do México comece a devolver os fundos de poupança desviados dos chamados “braceros” trabalhadores mexicanos que foram empregados nos Estados Unidos entre 1941 e 1964. Apoiamos um mundo sem fronteiras priorizando a livre a circulação de seres humanos e não apenas a livre circulação de mercadorias. Por isso, rejeitamos os Muros, ao que se pretende erguer na fronteira México – Estados Unidos.

Apelamos pela eliminação total do arsenal atômico que existe no mundo, somos contra a corrida armamentista e a existência de bases militares em território estrangeiro.

Rejeitamos todas as formas de racismo e discriminação. Promovemos o exercício pleno dos direitos econômicos, culturais, sociais e políticos das mulheres e a eliminação da cultura patriarcal.

Exigimos a retirada das forças da MINUSTAH que, seguindo um mandato do Conselho de Segurança da ONU, antidemocrático, ocuparam o Haiti há mais de uma década.

Condenamos o tráfico de drogas, tráfico de seres humanos e o terrorismo, e denunciar a dupla moral de um sistema que diz lutar contra o crime organizado, porém protege seus maiores promotores e principais responsáveis. Defendemos o cultivo legal e o tradicional uso benéfico da folha de coca.

Condenamos as políticas anti-imigração e o terrorismo e promovemos o reconhecimento dos imigrantes como trabalhadores, e o respeito aos seus direitos trabalhistas e humanos.

Solidarizamo-nos com os povos que hoje enfrentam governos de direita na região.

Proclamamos o direito humano à água, lutamos contra a destruição do meio ambiente, a ameaça à biodiversidade e ao ecossistema em geral.

Apoiamos as demandas dos pequenos Estados insulares do Caribe à reparação dos danos causados pela escravidão humana e pelo acesso aos recursos que permitam sua resiliência às mudanças climáticas.

Exigimos o fim incondicional, total e definitivo do bloqueio econômico, comercial e financeiro do governo dos Estados Unidos contra Cuba, e a indenização ao povo cubano pelos danos causados ​​por mais de meio século de agressões de todos os tipos.

Exigimos a devolução ao povo de Cuba do território ocupado pela base naval ilegal estadunidense em Guantánamo.

Apoiamos a reivindicação histórica da Argentina sobre a soberania das Ilhas Malvinas, Geórgias do Sul e Sanduíche do Sul.

Apoiamos a Bolívia em sua demanda por uma saída ao mar, com soberania.

Exigimos a descolonização completa do Caribe e, particularmente, apoiamos a independência de Porto Rico, que lembra, em 25 de julho de 2017, cento e dezenove anos de invasão militar dos EUA contra aquele país caribenho.

Da mesma a forma, exigimos a eliminação de toda forma de colonialismo e neocolonialismo.

Exigimos a retirada de todas as bases militares dos EUA que existem na região (77 no total, que juntamente com a Quarta Frota, cobrem todo o espaço regional), e todas as bases militares estrangeiras em qualquer país, onde quer que se encontrem.

Apoiamos o pedido de indenização ao Caribe pelos horrores da escravidão e do tráfico de escravos, assim como ao restante da América Latina, pelos 500 anos de saques de suas riquezas e de seus povos, que ainda continuam.

Defendemos os direitos e culturas dos povos indígenas e afrodescendentes, e assumimos suas lutas de restituição e pleno exercício dos seus direitos históricos.

Neste momento decisivo para o nosso continente, enfrentamos o desafio de aprofundar os processos de mudança em curso como a única maneira de derrotar a ofensiva da direita e do imperialismo, fiéis à nossa luta pela paz, a democracia e o socialismo, a única garantia para alcançar a nossa segunda, final e verdadeira independência política e econômica, bem como a nossa emancipação cultural e nossa própria identidade continental latino-americana e caribenha; a identidade, a soberania e autodeterminação desta grande pátria justamente batizada pelo apóstolo continental, José Martí, como a NOSSA AMÉRICA, que é o sonho de Bolívar, cada vez mais perto de se tornar realidade.

Nossa América está de pé na luta! Até a vitória sempre!

Cidade de Manágua, 19 de julho de 2017.

Fonte: http://www.resistencia.cc/inedito-integra-em-portugues-da-declaracao-final-do-23o-encontro-do-foro-de-sao-paulo-nossa-america-esta-de-pe-na-luta/

CB – Morte de Maria Eduarda escancara problema da guerra de gangues em Ceilândia – 23052018

Morte de Maria Eduarda escancara problema da guerra de gangues em Ceilândia

Criança morreu quando ia buscar milho para pipoca. Tiros saídos de um carro preto também atingiram um dos irmãos dela, de 19 anos. Crime seria mais um entre tantos em decorrência da rivalidade entre jovens moradores de quadras vizinhas


LC Luiz Calcagno

postado em 23/05/2018 06:00 / atualizado em 23/05/2018 10:11

Os tiros deixaram marcas nas grades e na janela da casa das vítimas: investigadores dizem que havia três jovens no carro de onde foram feitos os disparos(foto: Luis Nova/Esp. CB/D.A Press)
Os tiros deixaram marcas nas grades e na janela da casa das vítimas: investigadores dizem que havia três jovens no carro de onde foram feitos os disparos(foto: Luis Nova/Esp. CB/D.A Press)
Continua depois da publicidade

Uma menina de 5 anos é uma das mais recentes vítima de uma guerra entre gangues em Ceilândia. Maria Eduarda Rodrigues de Amorim morreu em casa, com um tiro na cabeça e outro no abdômen, quando saía para buscar milho para fazer pipoca. Outra vítima é o irmão dela, Marcos André Rodrigues de Amorim, baleado na perna. Ele seria o alvo dos criminosos que mataram a criança, segundo investigadores. O rapaz de 19 anos sobreviveu. No domingo, outro, de 17, tombou, também com uma bala na cabeça, em uma parada de ônibus, ao lado da irmã de 12 anos, na QNO 17.

A polícia apura a relação desses crimes com muitos outros envolvendo jovens moradores da região. Enquanto no Rio de Janeiro, por exemplo, crianças morrem com balas perdidas nas batalhas entre quadrilhas rivais pelo controle do tráfico de drogas ou em operações das polícias contra esses bandos e as milícias, a guerra da Ceilândia não tem uma causa clara. Alguns jovens morreram só por morarem em território inimigo, em consequência da matança sem origem definida, em um efeito dominó.

Maria Eduarda era a caçula, de cinco irmãos, a única menina. Ela completaria 6 anos em agosto. Morava em um lote do Conjunto 36 da QNO 18, onde há duas casas. Na da frente moram a mãe e os quatro irmãos da menina. Nos fundos, moravam três tios. Ela sempre dormia no barraco dos fundos, na mesma cama da tia Cleide da Silva, 34 anos. Ambas conversavam antes do crime, por volta das 18h30 de segunda-feira. “Ela me pediu pipoca, e eu disse para ela pegar (o milho) na casa dela. Assim que saiu, ouvi os tiros e corri. Ela estava caída no corredor”, relatou Cleide, inconsolável, ao Correio (leia depoimento). A tia e outros parentes levaram a menina e o irmão ao Hospital Regional de Ceilândia (HRC), mas ela não resistiu e morreu logo após dar entrada. Ele continua internado, até a noite de ontem, aguardando cirurgia.

 Ver galeria . 8 FotosDivulgação
(foto: Divulgação )

As balas que atingiram Maria Eduarda e Marcos André saíram de um Voyage de cor preta, que passou devagar pela quadra, segundo testemunhas. Os tiros deixaram marcas nas grades e na janela da casa das vítimas. Até a noite de ontem, nenhum suspeito desse crime e do assassinato de domingo havia sido preso. No entanto, o delegado Ricardo Viana, chefe da 24ª Delegacia de Polícia (Setor O, Ceilândia), garantiu que agentes identificaram suspeitos e estavam à procura deles, na noite de ontem. Disse ainda que havia três pessoas no veículo de onde partiram os tiros. “O que pudemos avaliar é que os disparos teriam saído do banco traseiro”, explicou Viana.

Maria Eduarda, tinha apenas 5 anos, e morreu com um tiro na cabeça e outro no abdômen(foto: Arquivo pessoal)
Maria Eduarda, tinha apenas 5 anos, e morreu com um tiro na cabeça e outro no abdômen(foto: Arquivo pessoal)

Teriam sido disparados ao menos oito tiros. O carro usado no crime havia sido roubado cerca de 20 minutos antes do tiroteio na QNO 18. Policiais civis encontraram o  Voyage abandonado em frente a um supermercado da QNO 17.  O Correio localizou o dono do veículo, na delegacia. “Eu tinha acabado de descarregar compras do carro, quando dois menores, magros e armados, renderam eu e a minha sobrinha”, contou o homem, que pediu o anonimato. O roubo aconteceu na porta da casa da sobrinha dele, na QNP15.

Antecedentes

Tio de Maria Eduarda e Marcos André, Sérgio Rodrigues, 37 anos, reforça as suspeitas. “Tem uma guerra de gangues na região. Eu era criança e ela já existia. Nunca teve um motivo específico. A coisa foi crescendo. Agora, está mais frequente. O meu sobrinho não tinha a ver com essa guerra. Já tinham tentado pegar ele antes (dispararam tiros contra ele, que estava no quintal), porque ele mora aqui (na QNO 18). Minha sobrinha foi vítima de uma rixa em que os menores vão assumindo uma briga que ninguém sabe como começou”, contou. Outros parentes e vizinhos apontam outro possível alvo dos ocupantes do Voyage preto, outro irmão de Maria Eduarda, que tem 15 anos e saiu de casa há cerca de dois meses.

Marcos André estava em liberdade provisória desde 26 de março. Ele foi preso por receptação de produto roubado. Em outubro de 2016, quando o jovem tinha 18 anos, a polícia também o prendeu por roubo, associação criminosa, porte ilegal de arma de fogo e corrupção de menor de 18 anos. Nesse processo, ele conseguiu liberdade em 30 de maio de 2017. Pai de Marcos André e Maria Eduarda, Ilário Éric de Amorim morreu vítima de arma de fogo. O crime foi um acerto de contas em 26 de agosto de 2012. Os familiares não contaram o motivo.

Inocentes

A mãe das vítimas estava transtornada, ontem. Cláudia Rodrigues passou a madrugada arrumando as roupas de Maria Eduarda, depois pegava os brinquedos da filha e caía em prantos, segundo familiares. À tarde foi ao Instituto de Medicina Legal (IML), para liberar o corpo da filha. A menina estava aprendendo a ler e a escrever. Ela cursava o segundo período da educação infantil na Escola Classe 56 de Ceilândia, onde o muro está pichado com as ameaças entre as gangues. As aulas serão suspensas hoje para que a comunidade escolar possa participar do velório da menina. Ela será velada na Capela 3 do Cemitério de Taguatinga, entre 14h30 e 16h30, e o enterro será às 17h.

Outros moradores, além de policiais, confirmam que a matança entre grupos rivais da QNO 17 e da QNO 18 dura “há anos”, mas ninguém sabe precisar quando ela começou nem o número de mortes de cada lado. Mas é certo que houve outros inocentes. Um deles seria o rapaz executado no domingo. Sem passagem pela polícia, ele estudava e jogava futebol em um time amador de Ceilândia. Esperava um ônibus na parada, na companhia da irmã, quando dois homens de bicicleta os abordaram. Os suspeitos teriam perguntado à vítima se ela estava envolvida na guerra entre os moradores da QNO 17 e da QNO 18. Mesmo após negar, levou quatro tiros, um deles na cabeça. O garoto morava na QNO 16.

Amiga do jovem morto domingo, uma adolescente lamentou que a guerra de gangues “já não mata apenas os envolvidos”. “Meu amigo não tinha nada a ver com a rixa. O sonho dele era jogar futebol e ele era uma pessoa tranquila, que organizava festas na igreja. O povo se revoltou aqui (na QNO 17). Em junho, ele chegou a fazer uma viagem para jogar bola. Ele só estava indo buscar a irmã na parada. Não usava drogas e nem gostava de beber”, ressaltou, em lágrimas.

Acompanhada do pai, outra adolescente moradora da QNO 17 relatou o medo até de ir para a escola. “Está todo mundo com medo. Hoje, a minha mãe não queria nem deixar a gente ir ao colégio.” O pai emendou: “As mortes estão mais frequentes. Quem não tem relação com essa briganão pode nem sair mais. Eu me preocupo com a minha filha.” 

 

Depoimento

 

Cleide da Silva, 34 anos, tia da menina morta
“Eu tinha acabado de chegar do serviço. Ela (Maria Eduarda) estava deitada na minha cama. Ela sempre dormia comigo. Às 19h30, fui para a cozinha e ela foi atrás. Estávamos conversando e ela perguntou se tinha pipoca. Falei que tinha na casa dela, no mesmo terreno. Ela saiu para pegar, e eu escutei os tiros. Na mesma hora, corri atrás, com medo de que ela tivesse sido atingida. Quando cheguei, ela estava deitada no corredor. Peguei ela no colo. O vizinho me socorreu e a levei correndo para o hospital. Acho que a essa hora ela não estava mais viva. Estava com o olhinho aberto.”

A vítima

Maria Eduarda Rodrigues de Amorim, 5 anos
» Filha caçula, de cinco irmãos
» Estava aprendendo a ler e a escrever
» Cursava o segundo período da educação infantil na Escola Classe 56 de Ceilândia
» Morreu em casa, com um tiro na cabeça e outro no abdômen, quando saía para buscar milho para a tia fazer pipoca
Colaboraram Bruna Lima, Sarah Peres e Walder Galvão, especiais para o Correio

Fonte: https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2018/05/23/interna_cidadesdf,682667/morte-de-crianca-escancara-problema-da-guerra-de-gangues-em-ceilandia.shtml

ONU-Brasil – Desigualdades raciais no Brasil comprometem oportunidades de trabalho e desenvolvimento humano – 07052018

Desigualdades raciais no Brasil comprometem oportunidades de trabalho e desenvolvimento humano

 Vídeos:
https://www.youtube.com/watch?v=m6NJQyRPW7o
https://www.youtube.com/watch?v=RFYQ6axQSho
https://www.youtube.com/watch?v=nPwBhiNU6Vc
Estudos que mostram o núcleo central da estrutura de desigualdades no Brasil, afetando o acesso ao trabalho e os maiores níveis de desenvolvimento.  No país, negros moram, estudam e ganham menos do que brancos.  Foto: Agência Brasil / Valter Campanato

Estudos que mostram o núcleo central da estrutura de desigualdades no Brasil, afetando o acesso ao trabalho e os maiores níveis de desenvolvimento. No país, negros moram, estudam e ganham menos do que brancos. Foto: Agência Brasil / Valter Campanato

Estudos mostram que a cor da pele é componente central na estruturação das desigualdades no Brasil, afetando o acesso ao emprego e a maiores níveis de desenvolvimento. No país, negros vivem, estudam e ganham menos do que brancos.

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), o número de desempregados no terceiro trimestre do ano passado estava em 13 milhões sendo que, desse total, quase 64% eram negros.

Em 2010, 62% da população branca com mais de 18 anos possuía o ensino fundamental completo. Na população negra, esse percentual caía para 47%.

Quanto à renda domiciliar per capita, a média da população branca era mais que o dobro daquela da população negra: 1.097,00 reais contra 508,90 reais, respectivamente, segundo estudo do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Segundo a pesquisa, o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal dos negros no Brasil tem dez anos de atraso comparado ao dos brancos.

“Desenvolvimento humano é quase um sinônimo de liberdade. Para que haja desenvolvimento humano é imprescindível que as oportunidades e capacidades existentes em uma sociedade sejam amplas, para que as pessoas possam escolher a vida que desejam ter”, disse Vanessa Zanella, integrante da equipe responsável pelo relatório do PNUD.

Para ela, a desigualdade nas oportunidades pode comprometer decisivamente o desenvolvimento humano. O acesso mais restrito à educação e ao trabalho formal tem reflexo direto na renda e, de forma mais ampla, no nível de desenvolvimento da população negra.

“Quando olhamos para o Índice de Desenvolvimento Humano e as dimensões consideradas para o cálculo — longevidade, educação e renda — vemos que educação e trabalho são inerentes ao índice e ao próprio conceito de desenvolvimento, possuindo peso duplo.”

“Infelizmente, a população negra está em desvantagem em todas as dimensões, por isso seu índice está abaixo da média brasileira”, declarou.

Acesso ao mercado formal e ao empreendedorismo

Assim como no caso de universidades, que implementaram ações afirmativas sem esperar por leis que tratassem em detalhe do assunto, as empresas podem fazer seus próprios programas de equidade racial, fundados no arcabouço legal da Constituição Federal, de tratados internacionais e outras normativas que, há décadas, já tornaram possível a adoção de ações afirmativas também no trabalho.

“Nos últimos 15 anos, o número de negros universitários triplicou. Portanto, as instituições públicas, privadas e do terceiro setor, nacionais ou internacionais, não têm mais justificativas para serem tão monocromáticas, vale dizer, brancas”, disse Daniel Teixeira, diretor de projetos do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT).

De acordo com Teixeira, a precarização das relações de trabalho tem um impacto maior nas famílias negras, já que seus membros têm, em geral, possibilidades menores de ingresso e mesmo de ascensão no mercado formal.

“As seleções de emprego muitas vezes incorrem no perfilamento racial, tendo em vista que os estereótipos ligados às populações negra e branca são opostos. Enquanto à primeira são conferidas características negativas como desleixo, incapacidade para comando, falta de higiene. À população branca confere-se o privilégio dos estereótipos positivos, tais como eficiência, capacidade de liderar, limpeza, etc”, declarou Teixeira.

Abrir o próprio negócio foi a resposta encontrada por alguns para driblar o racismo em processos de recrutamento de empresas.

De acordo com a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM) 2016, realizada pelo Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade (IBQP) com o apoio do SEBRAE, os negros apresentam taxa de empreendedorismo superior à dos brancos: 38,5% no primeiro grupo e 31,6% no segundo.

No entanto, 34,8% dos empreendedores brancos recebiam de três a seis salários mínimos, frente a 21,2% dos negros. Segundo Mafoane Odara, coordenadora de projetos do Instituto Avon, é preciso enfrentar o racismo tanto em empresas quanto no universo do empreendedorismo.

“Vale lembrar que o preconceito institucional em todas as áreas, assédio moral e baixos salários são fruto do que chamamos de racismo institucional e, para lidar com ele, é necessário reconhecer que vivemos em um país que é desigual, sendo nossa responsabilidade enfrentar essa desigualdade”, declarou.

A especialista do PNUD Vanessa Zanella disse ser fundamental o comprometimento de toda a sociedade com a superação do racismo. No entanto, ela lembrou que o poder público tem um papel maior em zelar pela proteção e atendimento às populações afetadas por formas específicas de desigualdades, como é o caso da juventude negra.

“A implementação de ações afirmativas, de investimentos nos setores de saúde e educação e o comprometimento com a redução das desigualdades são algumas de nossas recomendações”, disse.

“Além disso, é necessário um aprimoramento das métricas para a produção de dados desagregados e atuais, para que haja maior compreensão da realidade concreta em que se encontra a juventude negra”, pontuou.

Embora sejam mais raros os dados oficiais a respeito do tema, cruzando raça e faixa etária, sabe-se que a juventude também tem sofrido de forma mais intensa com o desemprego no país. Em 2017, do total de pessoas desocupadas no Brasil, 32,6% tinham entre 18 e 24 anos.

Vidas Negras

Reafirmando o compromisso de implementação da Década Internacional de Afrodescendentes, o Sistema ONU Brasil lançou no Mês da Consciência Negra de 2017, a campanha nacional “Vidas Negras”.

A iniciativa busca ampliar, junto à sociedade, gestores públicos, sistema de Justiça, setor privado e movimentos sociais, a visibilidade do problema da violência contra a juventude negra no país.

O objetivo é chamar atenção e sensibilizar para os impactos do racismo na restrição da cidadania de pessoas negras, influenciando atores estratégicos na produção e apoio de ações de enfrentamento da discriminação e violência.

Arte: Campanha Vidas Negras / ONU Brasil

Arte: Campanha Vidas Negras/ONU Brasil

ONU Brasil – Pessoas em maior vulnerabilidade ao homicídio tem idade e cor, diz chefe do UNFPA no Brasil – 04052018

Pessoas em maior vulnerabilidade ao homicídio tem idade e cor, diz chefe do UNFPA no Brasil; vídeo

No Brasil, a principal causa de morte entre os jovens é o homicídio. Mas as pessoas que se encontram em situação de maior vulnerabilidade a esse crime, além de idade, têm cor.

Confira o recado de Jaime Nadal, representante do Fundo de População das Nações Unidas no Brasil.

Vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=dERcYQydYrM

Ele convida governos, sociedade civil e você a participar da campanha #VidasNegras, pelo fim da violência contra a juventude negra.

Saiba mais acessando o site da campanha #VidasNegras: bit.ly/vnegras.

Fonte: https://nacoesunidas.org/pessoas-em-maior-vulnerabilidade-ao-homicidio-tem-idade-e-cor-diz-chefe-do-unfpa-no-brasil-video/

ONU-Brasil – Assembleia da Juventude na ONU recebe inscrições para sua 22ª edição – 18052018

Assembleia da Juventude na ONU recebe inscrições para sua 22ª edição

As inscrições para o processo seletivo de bolsa podem ser realizadas até 25 de maio e as inscrições regulares até 26 de junho. Saiba como participar.

O evento promove palestras, workshops e discussões para expor problemas mundiais de desenvolvimento e avaliar ideias e soluções que integram os jovens participantes. Foto: Acervo Pessoal

Entre 9 e 13 de agosto, a Friendship Ambassadors Foundation (FAF) realiza a 22ª sessão da Assembleia da Juventude, na sede da ONU, em Nova Iorque. A conferência visa elevar as vozes de jovens do mundo todo em diálogos internacionais sobre os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS).

O evento promove palestras, workshops e discussões para expor problemas mundiais de desenvolvimento e avaliar ideias e soluções que integram os jovens participantes. Conduzida pela Agenda 2030, a conferência, composta por 1,5 mil pessoas de 112 países, destaca o jovem como o importante agente de mudança em sua comunidade e no mundo.

Com o objetivo de inserir o Brasil na conferência, a embaixadora brasileira da Assembleia da Juventude, Susana Sakamoto, criou o projeto “Jovens na ONU”, incentivando o engajamento de jovens de todas as regiões do Brasil.

Para a edição de agosto, foi criado o “Programa de Bolsas Jovens na ONU”, que oferece apoio financeiro a candidatos que tenham iniciativas sociais de impacto no país.

As inscrições para o processo seletivo de bolsa podem ser realizadas até 25 de maio e as inscrições regulares até 26 de junho.

As instruções estão no site Jovens na ONU e para mais informações, entrar em contato com o e-mail: assessoriajovensnaonu@gmail.com.

Serviço

Youth Assembly – 22ª Assembleia da Juventude
Data: 9 a 13 de agosto de 2018
Local: Nova Iorque, EUA.
Inscrições: www.jovensnaonu.com.br/blog/
Contato para imprensa: assessoriajovensnaonu@gmail.com
Contato Embaixadora: +55 11 955581188
Contato programa de bolsa: bolsa.jovensnaonu@gmail.com
Contato inscrições regulares: selecaojovensnaonu@gmail.com

Fonte: https://nacoesunidas.org/assembleia-da-juventude-na-onu-recebe-inscricoes-para-sua-22a-edicao/

Agência Brasil – Brasil ainda tem 11,8 milhões de analfabetos e a maioria é preta ou parda – 21122017

Brasil ainda tem 11,8 milhões de analfabetos e a maioria é preta ou parda

Por iG São Paulo * | 21/12/2017 12:48 – Atualizada às 21/12/2017 15:56

Região Nordeste apresentou a maior taxa de analfabetismo, índice quase quatro vezes maior do que as taxas estimadas para o Sudeste e o Sul do País

Analfabetos ainda somam 11,8 milhões de pessoas acima dos 15 anos, segundo dados do IBGE divulgados nesta quinta-feira

Agência Brasil

Analfabetos ainda somam 11,8 milhões de pessoas acima dos 15 anos, segundo dados do IBGE divulgados nesta quinta-feira

Em 2016, a taxa de analfabetismo das pessoas de 15 anos ou mais de idade no Brasil foi estimada em 7,2% (11,8 milhões de analfabetos). Esse percentual apresentou relação direta com a faixa etária, aumentando à medida que a idade avançava, até atingir 20,4% entre as pessoas com mais de 60 anos.

Leia também: Ministro da Educação homologa a nova base curricular para o ensino básico

A meta 9 do Plano Nacional de Educação (PNE), lei sancionada em 2014, previa a redução da taxa de analfabetismo para 6,5%, em 2015 no país, o que não foi alcançado, conforme mostra a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) 2016, divulgada hoje (21) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A taxa de analfabetismo para as pessoas pretas ou pardas (9,9%) – nomenclatura usada pelo IBGE – foi mais que o dobro da observada entre as pessoas brancas (4,2%) em todas as regiões do país.

Segundo o IBGE, o Nordeste apresentou a maior taxa de analfabetismo (14,8%), índice quase quatro vezes maior do que as taxas estimadas para o Sudeste (3,8%) e o Sul (3,6%). No Norte, a taxa foi 8,5% e no Centro-Oeste, 5,7%. A meta 9 do PNE para 2015 só foi atingida nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

Leia também: Candidato que teve pedido de isenção no Enem negado já pode solicitar reembolso

Para a analista do IBGE Marina Aguas, as políticas públicas de redução do analfabetismo devem focar as regiões Norte e Nordeste.

No país, a taxa de analfabetismo para os homens de 15 anos ou mais de idade foi 7,4% e para as mulheres, 7%.

De acordo com a analista da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE, Helena Oliveira Monteiro, a pesquisa mostra a continuidade das diferenças regionais e a desigualdade por cor ou raça. “Historicamente, pessoas brancas têm mais acesso à escola. Isso está associado à renda, que produz maior oportunidade de acesso ao ensino”, disse a pesquisadora.

Nível de instrução

No Brasil, 51% da população de 25 anos ou mais tinham até o ensino fundamental completo ou equivalente em 2016; 26,3%, o ensino médio completo, e 15,3%, o superior completo.

Considerando a cor ou raça, as diferenças no nível de instrução são significativas: enquanto 7,3% das pessoas brancas não tinham instrução, 14,7% das pessoas pretas ou pardas estavam nesse grupo. Situação inversa ocorreu no nível superior completo: 22,2% das pessoas brancas tinham esse nível de instrução, ao passo que entre as pretas ou pardas a proporção era de 8,8%.

Leia também: Mais de 50 mil pessoas fazem a segunda fase do vestibular da Unesp neste domingo

No ano passado, o número médio de anos de estudo das pessoas com 25 anos ou mais foi oito. As regiões Nordeste e Norte ficaram abaixo da média nacional, com 6,7 anos e 7,4 anos respectivamente, enquanto as regiões Sul (8,3 anos), Centro-Oeste (8,3 anos) e Sudeste (8,8 anos) situaram-se acima da média.

* Com informações da Agência Brasil.

Fonte: Último Segundo – iG @ http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/2017-12-21/analfabetos-brasil-ibge.html

CB – Analfabetismo cai no Brasil, mas ainda afeta mais de 11 milhões de pessoas – 18052018

Analfabetismo cai no Brasil, mas ainda tem mais de 11 milhões de pessoas

Apesar da queda, um taxa ainda superior à meta do governo

 

 postado em 18/05/2018 16:30 / atualizado em 18/05/2018 16:35

 Agência France-Presse

Daniel Ferreira / CB / DA Press

A taxa de analfabetismo continua diminuindo no Brasil, mas em 2017 ainda atingiu 7% da população de mais de 15 anos, cerca de 11,5 milhões de pessoas, segundo um conjunto organizado nesta sexta-feira (18/5) pelo instituto de estatísticas IBGE.

No ano passado, houve um aumento de 300 mil analfabetos em relação ao ano de 2016 (7,2%). Apesar da queda, um taxa ainda maior para o governo previsto para 2015, de 6,5%.
Uma região do país que se estendeu por um número maior de pessoas que não são do tipo autónomas (14,5%), na frente do norte (8%), centro-oeste (5,2%), sul e sudeste (ambos com 3, 5%).
This tax paying is major from the population negra: 9,3%, em comparação com 4% dos brancos.
Dentro do estudo, chama a atenção de alto nível de analfabetismo da maior de 60 anos: 19,3%, e 38,6% no nordeste.
Um relatório da Unesco de 2016, o Brasil é o país sul-americano com maior taxa de analfabetismo.
Fonte: https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/eu-estudante/ensino_educacaobasica/2018/05/18/ensino_educacaobasica_interna,681666/analfabetismo-cai-no-brasil-mas-ainda-afeta-mais- de-11-milhoes.shtml

BBC-Brasil Abolição da escravidão em 1888 foi votada pela elite evitando a reforma agrária, diz historiador Amanda RossiDa BBC Brasil em São Paulo 13 maio 2018

Abolição da escravidão em 1888 foi votada pela elite evitando a reforma agrária, diz historiador

  • 13 maio 2018
Escravos trabalham em uma plantação de café no BrasilDireito de imagemTHE NEW YORK PUBLIC LIBRARY

Image captionEscravos trabalham em uma plantação de café no Brasil

Em 13 de maio de 1888, há 130 anos, o Senado do Império do Brasil aprovava uma das leis mais importantes da história brasileira, a Lei Áurea, que extinguiu a escravidão. Não era apenas a liberdade que estava em jogo, diz o historiador Luiz Felipe de Alencastro, um dos maiores pesquisadores da escravidão no Brasil. Outro tema na mesa era a reforma agrária.

O debate sobre a repartição das terras nacionais havia sido proposto pelo abolicionista André Rebouças, engenheiro negro de grande prestígio. Sua ideia era criar um imposto sobre fazendas improdutivas e distribuir as terras para ex-escravos. O político Joaquim Nabuco, também abolicionista, apoiou a ideia. Já fazendeiros, republicanos e mesmo abolicionistas mais moderados ficaram em polvorosa.

“A maior parte do movimento republicano fechou com os latifundiários para não mexer na propriedade rural”, diz Alencastro. Foi aí que veio a aprovação da Lei Áurea, sem nenhuma compensação ou alternativa para os libertos se inserirem no novo Brasil livre. “No final, a ideia de reforma agrária capotou”.

Nesta entrevista para a BBC Brasil, o historiador fala ainda sobre a origem da violência do Estado atual contra os negros, afirma que a escravidão saiu da pauta e passou a ser vista como um passado distante, apesar de não ter acabado há tanto tempo assim, e critica o uso da palavra “diversidade” para se referir aos negros. “Falar de diversidade é considerar que os negros são uma minoria, como nos Estados Unidos. Mas no Brasil eles são a maioria. É muito mais que diversidade, é democracia”.

Alencastro é hoje professor da Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo. É também professor emérito da universidade de Paris Sorbonne, onde lecionou por 14 anos, e autor do livro “O trato dos viventes: formação do Brasil no Atlântico Sul”. Veja abaixo os principais trechos da entrevista:

BBC Brasil – Como entender que o Brasil tenha sido o último país a abolir a escravidão nas Américas?

Luiz Felipe de Alencastro – O Brasil foi o último porque foi o que mais importou africanos – 46% de todos que foram trazidos coercitivamente para as Américas. Esse volume assombroso de africanos que chegou aqui acorrentado era considerado como uma propriedade privada. Isso cria uma dinâmica em que a propriedade escrava era muito importante. Muita gente tinha escravos. Nas cidades havia gente remediada que tinha um ou dois escravos. Os estudos mostram que a propriedade escrava no Brasil era muito mais difundida que na Jamaica ou no Sul dos Estados Unidos. Assim, muita gente, e não só os fazendeiros, achava que o país ia se arruinar se parasse de trazer africanos. Quase tudo dependia do trabalho escravo e da chegada dos africanos.

O Haiti é um caso limite, porque é primeiro país americano que chega à independência, com uma revolução feita pelos escravos (iniciada em 1791). É a única insurreição de escravos que chega ao poder no mundo. Já nos outros países em volta do Brasil, a escravidão não era importante. E era importante no Sul dos Estados Unidos.

BBC Brasil – Qual a diferença do processo de abolição no Brasil e nos Estados Unidos, em 1863?

Alencastro – No Brasil, a escravidão não era como nos Estados Unidos. Lá, a escravidão era regional, no Sul. No restante do país, havia uma economia agrícola independente e movimentos abolicionistas. Já no Brasil a escravidão era nacional, no país inteiro, e não havia um setor camponês independente. Por isso, o abolicionismo não tinha como crescer em regiões circunvizinhas às zonas escravistas. Como foi nos Estados Unidos? O norte do país, não escravista, elegeu Abraham Lincoln, do partido republicano, e que era contrário à expansão do escravismo nos novos territórios dos EUA e buscava uma solução negociada para extingui-lo nos estados onde ele existia. Isso causou a ruptura dos estados sulistas com a União. Ocorreu então uma guerra civil para acabar com a escravidão, uma guerra sangrenta, que traumatiza até hoje o país. Aqui não existia nenhuma parte do território em que a escravidão fosse ilegal. Então, mesmo que houvesse 60 escravos no Amazonas na mão de alguns senhores, esse grupo fechava com o partido escravocrata no Parlamento. Havia uma espécie de união nacional em torno do tráfico negreiro e da escravidão.

Fotografia de família de escravos nos Estados Unidos - mulher com criança no colo, senhor sentado, homem adulto em pé, duas mulheres e duas criançasDireito de imagemTHE NEW YORK PUBLIC LIBRARY DIGITAL COLLECTIONS

Image captionFotografia de família escrava nos Estados Unidos, data desconhecida

BBC Brasil – Já se disse que as grandes transformações do Brasil ocorreram sem participação popular, pelas mãos da elite política e econômica. A independência, a abolição, a República. Mas isso é verdade para a abolição?

Alencastro – José Bonifácio de Andrada, que era uma espécie de primeiro-ministro logo depois da independência do Brasil, mandou um projeto para a Assembleia Constituinte, prevendo a abolição progressiva do tráfico e da escravidão. Já naquele momento, a classe dirigente, o corpo da administração imperial tinham perfeita noção de que manter o tráfico de escravos criaria um impasse. Porque a Inglaterra deixara claro que só reconheceria a independência se o Brasil acabasse com o tráfico. E o governo inglês, nessa época, tinha uma importância enorme. Era como se fosse a ONU (porque garantia o reconhecimento diplomático internacional), o FMI (porque emprestava dinheiro para o governo) e a OIT (porque vetava a importação de africanos, mão-de-obra essencial no Brasil) juntos, com uma força naval que desde a batalha de Trafalgar (1805) mandava em todos os mares.

Quando a Inglaterra começou a pressionar mais fortemente, os dirigentes brasileiros cederam, prometendo acabar com o tráfico a médio prazo. Em 1831 é votado o fim do tráfico. Porém, sobretudo no Rio, e em menor medida na Bahia e no Recife, se organizam redes comércio semiclandestino de escravizados africanos. Só em 1850 , o comércio de africanos acabou de fato. Acabou de uma vez. Caiu de 60 mil africanos desembarcados em 1849 para 6 mil em 1851. Como? Porque houve um conchavo entre traficantes e governo. Se amanhã acabar o tráfico de cocaína na Colômbia, não é porque o consumo de cocaína acabou e de um dia para o outro os policiais ficaram virtuosos.

BBC Brasil – Que conchavo foi esse?

Os traficantes foram prevenidos antes que o tráfico ia acabar e foram tirando o dinheiro. Houve uma negociação entre a classe dirigente (a administração imperial) e a classe dominante (os fazendeiros, as oligarquias regionais). O governo propôs uma lei de imigração para trazer trabalhadores rurais, uma estrada de ferro na região cafeeira- porque o transporte era feito em lombo de mula – e a redução das tarifas de exportação de café.

BBC Brasil – Depois que o tráfico acabou, qual passou a ser a estratégia do Império?

Alencastro – Quando acaba o tráfico de escravos, acaba a fonte de reprodução externo do sistema escravista. Depois há a Lei do Ventre Livre em 1871 (que declarou livres os filhos de mães escravas que nascessem a partir daquela data). Isso estanca outra fonte de reprodução da escravidão, que é a reprodução demográfica interna. Dessa forma, houve uma estratégia gradualista para acabar com a escravidão.

Este gradualismo se resume nesta ideia: a escravidão acaba quando o último escravo morrer. Essa era a estratégia do Império. Aí ninguém perde dinheiro. Mas surge então o abolicionismo. É um movimento como as Diretas já!: abolição já! Não tem que esperar até o último escravo morrer para acabar com a escravidão. Vamos abolir já, e sem indenização para os proprietários de escravos. Joaquim Nabuco (político abolicionista) afirmou que o Brasil não tinha dinheiro para pagar os crimes que cometeu.

Fotografia do hitoriador Luiz Felipe de AlencastroDireito de imagemBBC BRASIL

Image captionLuiz Felipe de Alencastro, autor de ‘Trato dos Viventes’, é um dos maiores especialistas em escravidão

BBC Brasil – Qual foi a participação do movimento abolicionista? E o povo, participou?

Alencastro – O abolicionismo se acentuou na década de 1880. Há importante liderança negra. Luís Gama, André Rebouças, José do Patrocínio, que se batiam nos tribunais e nos jornais. Esses são os heróis. Também há muita gente anônima que participou. Houve movimentos organizados para dar fuga a escravos, por exemplo. Aqui em São Paulo, havia o grupo do Antônio Bento, os Caifazes. Havia um grupo em Recife, que ajudava os escravos a fugirem para o Ceará, onde a maioria dos municípios já não tinha mais escravos desde 1884, onde os escravocratas eram minoritários . Já o Rio de Janeiro era a província onde o escravismo era mais renitente. Em São Paulo, o oeste do Estado já estava apostando na imigração porque havia muita fuga, e a fuga é uma forma de revolta, dos escravos comprados no Nordeste. Essas ações acentuaram a crise do escravismo.

BBC Brasil – Também se falava de reforma agrária, dar terras para os ex-escravos.

Alencastro – A reforma agrária não estava na pauta da maioria dos abolicionistas. Foi uma radicalização de uma parte minoritária. André Rebouças, um engenheiro negro com muito prestígio, tinha um programa para criar um imposto territorial sobre as fazendas improdutivas e fundar cooperativas de pequenos camponeses. Nabuco, nos anos 1880, foi porta-voz dessas reinvindicações. Mas no final, a ideia de reforma agrária capotou.

BBC Brasil – Por quê?

Alencastro – A maior parte do movimento republicano fechou com os latifundiários para trazer imigrantes que trabalhassem nas fazendas e não mexer na propriedade rural. Essa virada dos republicanos jogou Nabuco, Rebouças e outros no escanteio e os fez apoiar a monarquia até o fim. Depois disso, (no livro) “Minha Formação” (1900), Nabuco renega sua juventude abolicionista e faz uma declaração monarquista que constitui uma das frases mais infames da história da política brasileira: “Tenho convicção de que a raça negra por um plebiscito sincero e verdadeiro teria desistido de sua liberdade para poupar o menor desgosto aos que se interessavam por ela, e que no fundo, quando ela pensa na madrugada de 15 de novembro (data da proclamação da República), lamenta ainda um pouco o seu 13 de maio”.

Retrato de André RebouçasDireito de imagemMUSEU AFRO BRASIL

Image captionAndré Rebouças defendia dar terras para os escravos que fossem libertos

BBC Brasil – O projeto de reforma de Rebouças e Nabuco poderia ter ido para frente?

Alencastro – A relação de forças não era favorável. Não havia um movimento camponês a favor da reforma agrária, ou uma base popular lutando pelo o direito à terra. No final das contas, o Brasil é um dos únicos grandes países agroexportadores que nunca fez reforma agrária.

BBC Brasil – Além do campo, também havia muita escravidão nas cidades?

Alencastro – Se você somar a proporção de escravos no Rio com Niterói, você tem uma concentração urbana de escravos que não existiu em nenhum outro lugar no mundo, só no Império Romano. No Brasil, a escravidão também tinha essa característica urbana, em uma escala que não ocorreu nas Américas. A escravidão marcava as cidades. Em 1849, o Rio tinha 260 mil habitantes, 110 mil dos quais eram escravos. Isso dá 42% da população.

BBC Brasil – Como foi o dia seguinte à abolição? O que aconteceu com os escravos que se viram livres em 13 de maio de 1888, mas sem compensações, sem apoio do Estado para começar uma vida nova?

Alencastro – Na sequência da abolição, a mão de obra imigrante vai aumentando. Muitos ex-escravos ficam fora do mercado de trabalho na zona rural e, em parte, nas cidades. Mesmo sendo brasileiros, os ex-escravos não tiveram cidadania plena, porque a sua quase totalidade era analfabeta, e o voto do analfabeto foi proibido em 1882, ainda no Império. Este ferrolho para excluir os negros livres e os ex-escravos também atingiu os brancos pobres e analfabetos, como é óbvio. Até 1985, quando o voto deles foi permitido.

BBC Brasil – A escravidão foi um processo de muita violência. Essa violência usada contra os negros acabou quando a escravidão chegou ao fim?

Alencastro – A Constituição brasileira de 1824, no art. 179, proibiu punir crimes com castigo físico. A partir daquele momento, não se podia mais torturar – a inquisição portuguesa havia institucionalizado a tortura como prova, até a pessoa confessar. Vem então o Código Criminal de 1830 que especifica no art. 30: se o condenado for escravo ele não vai para a cadeia, a pena é transformada em açoite. Isso porque se o escravo fosse para cadeia, causaria uma perda de mão-de-obra e dinheiro para o seu senhor. Assim, o escravo era açoitado publicamente, humilhado, torturado. Depois, semanas depois, quando estivesse reestabelecido (do açoitamento), o escravo voltava a trabalhar. Então, a tortura foi legal no Brasil até 1888, mas só para os escravos. Quando a abolição ocorre, a polícia já estava habituada a bater neles. Neles e nos brancos desfavorecidos. Como no caso do voto do analfabeto citado acima, os mecanismos da repressão escravista contaminam a sociedade inteira.

Duas ilustrações de violência contra escravos; na imagem do alto, um açoite a escravo amarrado em tronco, com nádegas ensanguentadas; na imagem de baixo, escravos com os pés presos em uma plataforma de madeiraDireito de imagemTHE NEW YORK PUBLIC LIBRARY DIGITAL COLLECTIONS

Image captionA tortura era proibida contra brancos; para os escravos, a punição era o açoite

BBC Brasil – 4,8 milhões de africanos aportaram como escravos no Brasil. É muito mais que em qualquer outro lugar no mundo. Nos Estados Unidos, foram menos de 400 mil. Por que a vinda de escravos para o Brasil foi tão grande?

Alencastro – São vários fatores. Do ponto de vista da navegação, há um sistema de correntes e ventos que aproxima muito o Brasil da África. A viagem de ida e volta para os portos brasileiros era 40% mais curta do que a dos navios saindo das Antilhas ou dos Estados Unidos, os quais enfrentavam turbulências na ida e na volta, quando atravessavam a zona equatorial. O Brasil também tinha mercadorias que eram trocadas por escravos, como tabaco e cachaça. Outro fator importante são as conexões do Brasil com os portos africanos. Quando a Corte portuguesa veio para cá, o Rio de Janeiro se tornou a capital do império português – isso incluía Angola, Moçambique… Também havia bases mercantis de interesse brasileiro lá – muito mais associadas ao Brasil do que a Portugal. Isso os americanos nunca tiveram. O negócio negreiro dos Estados Unidos era muito mais controlado pelos ingleses.

O terceiro fator é o boom do café, que aumentou muito o tráfico negreiro para o Centro-Sul do Brasil. Quem estava financiando isso em última instância? O operário e a classe média inglesa, francesa, russa, que estavam tomando café mais frequentemente. O café do Brasil não tinha concorrência. A partir de 1840, o Brasil vira o maior produtor mundial de café – e é o maior até hoje. Não foi assim com o ciclo do açúcar, que sofria concorrência das Antilhas.

BBC Brasil – Os próprios africanos participaram do comércio de escravos, não?

Alencastro – Os africanos desenvolviam comércio de escravos localizado, limitado aos circuitos regionais das zonas econômicas africanas. A articulação desse comércio interno ao comércio Atlântico – que era um dos setores mais dinâmicos da economia mundial, com companhias formadas, com acionistas investindo pesado – criou uma demanda de escravos que exacerbou o tráfico interno africano. Também houve a importação de armas europeias, dando maior impacto aos conflitos internos, que eram os mecanismos de criação mercantil de escravos. O comércio atlântico negreiro era um comércio totalmente europeu e brasileiro. Nunca houve um navio africano vendendo escravo nos portos das Américas.

BBC Brasil – Como a escravidão explica o país e a sociedade que o Brasil se tornou?

Alencastro – O tráfico negreiro em si explica muita coisa. Explica a unidade nacional, por exemplo. Quem quisesse se separar do governo do Rio de Janeiro, da Coroa, já sabia por antecipação que ia sofrer pressão da Inglaterra quando ficasse independente e teria que acabar com o tráfico. Quem estava melhor posicionado para moderar a pressão inglesa contra o tráfico transatlântico de africanos? O governo do Rio de Janeiro. Uma monarquia que tinha corpo diplomático bem plantado na Europa e era a única representante do sistema monárquico europeu nas Américas. A unidade nacional brasileira é um fenômeno inédito nas Américas. Falava-se a mesma língua. Mas da Patagônia até a Califórnia também se falava a mesma língua, o espanhol e os 4 vice-reinos espanhóis se fragmentaram virando 19 países.

Mas não é só. O tráfico também explica boa parte da diferença entre o Centro-Sul e o Nordeste do Brasil. O sucesso do primeiro não é porque teve mais espírito comercial. É por causa do café, mas também porque a rede negreira fluminense era mais extensa e mais eficaz na África que a dos negreiros pernambucanos ou baianos. Por isso, o café pode se expandir tanto.

BBC Brasil – 130 anos é pouco tempo, só cerca de quatro gerações. Mesmo assim, parece muito distante. Por que temos a impressão de que a escravidão é um passado tão longínquo?

Alencastro – Eu conheci gente em Goiás que falava do tempo da escravidão. E há depoimentos de ex-escravos colhidos no Paraná, nos anos 1950. Por que parece que é tão longe? Logo depois da abolição o assunto saiu de pauta. Salvo para se ensinar que a abolição foi uma generosidade da Coroa, do governo, da redentora princesa Isabel. Daí o motivo do movimento negro ter proposto a troca do 13 de maio pelo 20 de novembro (Dia da Consciência Negra), da princesa Isabel por Zumbi – numa luta política significativa. E depois veio também a imigração, criou-se uma outra história popular que não deixava muito espaço para a história dos afro-brasileiros.

BBC Brasil – A abolição foi uma farsa?

Alencastro – A abolição teve limites. Mas ela ocorreu, não foi farsa. Seria como dizer que a República foi uma farsa, que não acabou com a monarquia. A abolição acabou com a aberração gerada por um quadro institucional e legal que permitia uma pessoa ter como propriedade outra pessoa e seus descendentes, de maneira perpétua. A abolição também não foi uma benevolência da princesa ou do governo. A monarquia já estava caindo, fez uma última manobra e caiu ao tentar captar a plataforma abolicionista para enfraquecer o movimento republicano

Pintura mostra diversos negros escravizados amontoados em um porão de navio negreiroDireito de imagemTHE NEW YORK PUBLIC LIBRARY DIGITAL COLLECTIONS

Image caption4,8 milhões de africanos foram transportados para o Brasil e vendidos como escravos, ao longo de mais de três séculos

BBC Brasil – O senhor é defensor das cotas…

Alencastro – O meu argumento das cotas é que elas são fundamentais para os negros, para os índios e para os pobres e os brasileiros em geral. São elas que vão consolidar a democracia plena no Brasil, com acesso à educação e ao trabalho.

BBC Brasil – Há quem defenda cotas por renda, não por cor…

Alencastro – A cota social apareceu como um argumento substitutivo dos que não queriam apoiar a cota racial. Ninguém falava em cota social no Brasil antes do movimento negro levantar a bandeira da política afirmativa racial – a favor dos negros e também dos índios, é importante lembrar. Trata-se de uma política baseada nas estatísticas étnicas dos Estados. Na região amazônica a proporção de jovens de origem indígena é importante e as cotas favoreceram a entrada deles nas universidades federais.

O Supremo Tribunal Federal votou unanimemente pela constitucionalidade das cotas, em 2012. Raras decisões do Supremo são unânimes. Juridicamente, a situação estava definida: os negros não sofrem descriminação legal, mas há mecanismos informais que os descriminam e desqualificam de forma óbvia. O censo de 2010 mostrou que a maioria da população é negra. Esse dado deve ser bem observado pela maioria dos progressistas e por setores do movimento negro que consideram a política afirmativa como um instrumento em favor da diversidade. É muito mais do que isso. É um instrumento em favor da democracia, do funcionamento do Estado, que favorece o país inteiro. Achar que ela garante a diversidade é considerar que os negros são uma minoria, como nos Estados Unidos. Mas no Brasil eles são a maioria.

BBC Brasil – O senhor também defende o ensino de história da África nas escolas.

Alencastro – A maioria das pessoas que chegaram aqui são africanos. É esse o dado que os professores têm que dar em reunião de pais e mestres, quando perguntam por que perder tempo com história da África. Ora, porque a África é mais importante para a formação do povo brasileiro do que a Ásia e boa parte da Europa e das Américas.

Fonte: http://www.bbc.com/portuguese/brasil-44091474

Aprofundando a pesquisa

A luta esquecida dos negros pelo fim da escravidão no Brasil – documentário da BBC Brasil

http://www.bbc.com/portuguese/resources/idt-sh/lutapelaabolicao

Só mais um site WordPress